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“The New York Times” põe o Papa na capa do jornal… mas do seu jeito

© The New York Times
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A autora do artigo que fala da famosa entrevista do Papa Francisco manipula suas frases para apresentá-lo como liberal, em comparação a Bento XVI

O prestigiado jornal "The New York Times" (NYT) coloca na sua capa de hoje uma foto festiva do Papa Francisco, saudando a multidão em São Pedro, sorridente, diante de uma bandeira da Argentina. O inusitado destaque da figura do Papa, sem que haja conclave nem morte de um pontífice, chama a atenção.
 
A fotografia acompanha a nota que dá a conhecer a entrevista concedida pelo Papa à revista "La Civiltà Cattolica", comentando que o Pontífice supostamente critica o enfoque estreito da Igreja.
 
Abaixo da foto, o NYT escreve: "O Papa Francisco disse ao entrevistador jesuíta que a Igreja se tornou 'obcecada' com o aborto, o casamento gay e a contracepção".
 
Assinada pela jornalista Laurie Goodstein, a nota da capa já transmite a ideia de qual será o enfoque dado pelo jornal às palavras do Papa ao jesuíta Antonio Spadaro, diretor de "La Civiltà Cattolica". De fato, todos os jornais parceiros do NYT fazem isso.
 
No primeiro parágrafo do texto da edição de hoje do jornal – que talvez seja o mais influente na história dos jornais americanos –, a jornalista Goodstein escreve: "Há seis meses no papado, o Papa Francisco levantou ondas de choque na Igreja Católica Romana nesta quinta-feira, com a publicação de uma entrevista na qual ele insiste em que a Igreja cresceu em sua 'obsessão' pelo tema do aborto, do casamento gay e da contracepção, e isso o levou a não falar de temas que lhe acarretaram recriminações dos seus críticos".
 
A jornalista qualifica de "comentários surpreendentes" os feitos pelo Papa à revista dos jesuítas na Itália. Nesta longa entrevista, segundo acrescenta Goodstein, o Papa "critica a Igreja por colocar o dogma antes do amor e por priorizar a doutrina moral acima do serviço aos pobres e marginalizados".
 
Logo depois, a jornalista do NYT expressa uma ideia entrelinhas que acaba se tornando um dos pilares da crítica liberal a favor de Francisco, mas contra seu antecessor, o Papa Emérito Bento XVI.
 
Goodstein afirma: "Ele [Francisco] articulou sua visão de uma Igreja inclusiva, 'uma Igreja para todos', que choca e contrasta com o seu predecessor, o Papa Bento XVI, defensor da doutrina, quem concebia uma Igreja mais pura e pequena".
 
O artigo da capa – que se prolonga na página 11 da edição nacional do NYT – termina reconhecendo que a longa entrevista dada por Francisco à revista italiana dos jesuítas "não muda as políticas nem a doutrina da Igreja, mas, instantaneamente, mudou seu tom".
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