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A linguagem popular do Papa Francisco surpreende a opinião pública

©ALESSIA GIULIANI/CPP
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E o conteúdo dos seus comentários e pensamentos pode ser mal interpretado, quando suas palavras são tiradas do contexto

A forma como o Papa Francisco se expressa e o conteúdo dos seus comentários e pensamentos têm surpreendido a opinião pública, tanto crente como não crente. O Papa já está à frente da Igreja há meio ano, e nesse tempo foi detalhando seu pensamento sobre como a Igreja deve ser. Sua preferência pelos pobres e sua simplicidade de vida são um forte testemunho. Mas as palavras do Papa às vezes podem ser mal interpretadas, quando tiradas do seu contexto.
 
Nós, jornalistas, adoramos o Papa Francisco, porque cada intervenção sua rende pelo menos uma manchete. Há quem diga que "o Papa fala com manchetes", o que não é verdade. O Papa Francisco é reflexivo, profundo, ainda que sua forma de expressar-se seja popular, como quando disse que existem padres e freiras que parecem "solteirões", por carecerem desta paternidade e maternidade implícita em sua vocação de acolher homens e mulheres com o amor que Cristo tinha pelos seus, e por isso lhes falta fecundidade apostólica.
 
Uma das tarefas que o Papa terá de enfrentar nas próximas semanas será a reforma da cúria de Roma, pois ele receberá a comissão de oito cardeais, de todos os continentes, que intervieram na elaboração de um documento a este respeito.
 
A ideia central é que a cúria romana deve estar ao serviço das conferências episcopais e dos bispos, diminuindo o quadro de funcionários de Roma e reformando particularmente a Secretaria de Estado. A cúria é o governo da Igreja e ajuda o Papa em suas funções.
 
O Papa Francisco deu recentemente uma entrevista publicada na "Civiltà Cattolica", dos jesuítas, uma revista que tem mais de 150 anos e cujos textos são revisados pela Secretaria de Estado, o que faz com que ela, apesar de não ser oficial, seja "autorévele", como dizem os italianos, ou seja, tem certa autoridade.
 
E é normal que o Papa Francisco, sendo jesuíta, tenha querido dar sua primeira longa entrevista à revista que ele tanto leu e na qual confia. Ao ler a entrevista inteira, palpa-se a espontaneidade do Papa, mas ao mesmo tempo o contexto em que diz cada coisa, pois as manchetes são apenas um indicativo e não têm utilidade quando não respeitam o contexto.
 
Assim, por exemplo, no tema dos homossexuais, o Papa disse que conhece homossexuais que se sentem "feridos" porque "sentem que a Igreja sempre os condenou. Mas a Igreja não quer fazer isso". E acrescentou que, "se um homossexual tem boa vontade e busca Deus, eu não sou ninguém para julgá-lo (…); o Catecismo diz isso"; de fato, o Catecismo da Igreja valoriza os homossexuais e pede compreensão e afeto com relação a eles.
 
E o Papa acrescentou: "Precisamos sempre levar em consideração as pessoas", seja qual for sua situação, e acompanhá-las "com misericórdia". A misericórdia é um dos pontos chaves em que se apoia a pregação do Papa Francisco quando fala dos homens, que, por mais pecadores que sejam, devem recordar que Deus é misericordioso e, neste sentido, ele se refere à teologia da misericórdia elaborada por João Paulo II.
 
Por isso, a Igreja tem o sacramento da Confissão, do perdão. E aqui outra grande frase do Papa: "O confessionário não é uma sala de tortura, mas o lugar da misericórdia", onde o Senhor nos impulsiona a ser melhores.
 
Mais à frente, o Papa Francisco acrescentou que os confessores estão aí para o perdão, e "não podemos continuar insistindo em questões referentes ao aborto, ao casamento gay, ao uso de anticoncepcionais. É impossível. No demais, já conhecemos a opinião da Igreja, e eu sou filho da Igreja, mas não é preciso ficar falando dessas coisas o tempo todo". E ele disse isso por experiência.
 
O trabalho missionário não se obceca por transmitir um conjunto desarticulado de doutrinas, para impô-las insistentemente, mas busca o essencial, que é transmitir o amor de Deus, a fé e a esperança. Uma boa homilia deve começar pelo anúncio da salvação. A catequese vem depois.
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