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Cristãos: “Nós caminhamos contra a corrente”

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Patriarcado Latino de Jerusalém - publicado em 30/09/13

Patriarca latino de Jerusalém participa do encontro de chefes das Igrejas Orientais e fala do fundamentalismo e da perseguição dos cristãos

“Nós caminhamos em contra corrente. É um esforço, uma fatiga constantes, que exigem de nós a procura da verdade”: Mons. Fouad Twal, Patriarca Latino de Jerusalém, participou a 3 e 4 de Setembro, na Jordânia, no encontro entre chefes e representantes das Igrejas do Oriente. Temas: o fundamentalismo e a perseguição dos cristãos, a crise israelo-palestina nunca verdadeiramente encarada. E os ventos da guerra na Síria com o risco de um pós conflito ainda mais explosivo.


“A maior urgência é corrigir o discurso religioso de tantos imanes que das suas mesquitas apelam à violência contra os não muçulmanos. É preciso também modificar as constituições de alguns países que não reconhecem aos cristãos os mesmos direitos que aos outros cidadãos.”

Enquanto isso, o Médio Oriente, vê partir os seus cristãos que continuam a emigrar.


Nós, os cristãos, somos um pouco privilegiados: ao primeiro sinal de perigo começamos a fazer as nossas malas porque sabemos que encontraremos um acolhimento nos países ocidentais. E há um fator que nos encoraja – o fato de outros cristãos terem conseguido singrar e terem tido sucesso econômico na diáspora. Mas, repito, se esta terra do Médio-Oriente nos é verdadeiramente querida, ela deve-o ser para o melhor e para o pior.

Como vê, de Jerusalém, o conflito interno que dilacera o Médio-Oriente?


É uma imensa dor. Estamos preocupados, dramaticamente, pela ameaça americana de bombardear a Síria. Os bispos sírios sublinham que a perseguição dos cristãos pelos rebeldes é um fato objetivo. Mas, na minha opinião, a esta dor vem juntar-se uma outra. O centro das atenções deslocou-se. Ninguém mais fala da ocupação militar israelita, do muro, da falta de liberdade no acesso aos Lugares Santos. E, no entanto, a nossa situação não melhorou. Simplesmente, era uma situação de exceção e, hoje, banalizou-se.

Nestes últimos meses, o Secretário de Estado Americano tentou relançar as conversações para a paz. Mas em que se pode fundamentar este diálogo e um eventual entendimento? 


Encontrei-me recentemente com o Rei Abdullah e ele estava otimista. Pensa que se não chegarmos a um acordo durante o mandato de Obama, nunca mais se conseguira alcançá-lo. Gostaria de reafirmar, no entanto, que o diálogo não é um fim em si, mas sim um meio para se começar a chegar à paz.

A solução de dois Estados, que a Santa Sé sempre defendeu, parece ter-se tornado impossível, depois das novas ocupações israelitas. Alguns propõem a instituição de um único Estado. Que pensa desta posição?


Eu não diria que a hipótese de dois Estados esteja ultrapassada. Nós dizemos a Israel: se querem dois estados dêem-nos espaço necessário para o fazer. Caso contrário, que se faça um Estado único, democrático. É evidente que com o risco de, dentro de alguns anos, o Presidente ser um palestino. Mas penso que o governo israelita prefere gerir o problema a resolvê-lo.

A situação na Síria pode fazer explodir esta “gestão” de Israel?


Os israelitas têm medo de Assar, mas têm ainda mais medo do que possa vir a seguir. Disso tenho a certeza.

Que cenários imagina para a Síria?


É uma ilusão pensar-se que os ataques a determinados alvos possam ser levados a cabo de forma cirúrgica. A guerra dará mais força aos rebeldes djianistas e salafitas. Reafirmo portanto o meu “não à guerra” mas o meu “sim” a uma solução política. Nos países árabes o que faz cair governos não são geralmente os rebeldes, mas sim o exército. Até ao momento presente houve 100 000 mil mortos, sem contar com os milhares de refugiados, para derrubarem um chefe que continua de boa saúde. A Jerusalém que eu conheço é, presentemente, uma Jerusalém que une todos os crentes do mundo ao mesmo tempo que os divide. É uma cidade de contradições. A paz, o meu sucessor vê-la-á talvez. Eu não.


(Oasis Center)

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