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As pretensões totalitárias do estado moderno

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Marcelo López Cambronero - publicado em 03/10/13

Uma nova forma de fascismo, que pretende impor sua ideologia inclusive à vida íntima das pessoas

O presidente da Bolívia, Evo Morales, tem a intenção de criar um monstro cujo nome seria “Igreja Católica Apostólica Renovada do Estado Plurinacional”. Este seria um artifício boliviano dirigido pelo estado e que adotaria a forma exterior de uma comunidade de fiéis. Parece que esse senhor se reafirmou nesta peregrina ideia após assistir à Missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude no Brasil.

Como sabemos, a mentira se reveste de verdade e o vício homenageia a virtude mediante a hipocrisia. O objetivo é a imposição de uma tirania sobre a consciência dos bolivianos, obrigando-os a acreditar ou fazer de conta que acreditam naquilo que o estado lhes ordena em cada momento.

Este cavalheiro não nos surpreende. Não faz nada de novo. Submeter o foro íntimo das pessoas é uma velha pretensão de poder, que parece não saciar-se jamais de carne humana. Augusto Comte, o conhecido sociólogo fundador do positivismo (corrente predominante nas consciências dos homens e mulheres de hoje) já defendia que seu projeto ideológico teria de ser imposto a partir do estado.

De fato, as ideologias que sustentam os movimentos políticos no poder na maior parte do mundo atual (e, sem dúvida, nos estados de partidos) mantêm a pretensão de subjugar nossas consciências e, sempre com a palavra “liberdade” na boca, fazer de nós outras pessoas. Para isso, não se hesita, nem na China, nem em Washington, nem em Bruxelas, nem em Madri, em utilizar os instrumentos de espionagem e coação disponíveis, e todos os meios que permitam inculcar a proposta religiosa estatal.

O exemplo da Bolívia e muitos outros apontam na mesma direção: o conglomerado estado-mercado pretende nos esmagar sob um moralismo ideológico que formate nossas consciências e nossa forma de vida. Se você deseja preservar alguma margem de liberdade, eles derrubarão a porta da sua casa em plena noite.

Este projeto requer que o estado ocupe o lugar da Igreja. Isso é exatamente o que ocorre: o estado quer ser Igreja e utiliza os educadores como legião de “sacerdotes inflexíveis”. Isso agora é chamado de “laicismo” e é a “religião” do bom “cidadão”.

Existem diversas formas de compreender o laicismo dentro do panorama cultural atual, mas a defendida por quase todos os políticos dos países ocidentais, especialmente os europeus, baseia-se no monopólio absoluto de uma concepção da vida boa a partir de um discurso particular (reducionista, quase ridículo) sobre o que é a razão e as normas morais que derivam “necessariamente” dela.

Segundo esta dinâmica, fala-se de tolerância com ferocidade, enquanto se elimina conscientemente o apelo a outras religiões não laicistas ou que não se mostrem submissas ao poder, ou a outras concepções da vida boa.

Deseja-se especialmente extirpar o cristianismo da consciência social. Não sou eu quem está supondo isso, nem sou um alarmista: afirmam-no os que levantam a bandeira do laicismo, que se mostram cada vez mais totalitários.

O argumento, usado por personagens eminentes como Gregorio Peces-Barba e outros, costuma constatar a triste realidade de que a Igreja, no passado, caiu sob a tentação do poder e impôs ou apoiou regimes bastardos e tiranos; por conseguinte, agora caberia a nós governar com tirania (quanta racionalidade!).

Eu, no entanto, tendo a pensar que a coisa é muito mais simples: pretende-se triturar o cristianismo porque é a religião verdadeira e porque, além disso, sua vivência real nos torna completamente livres, inclusive diante da morte, e certamente também diante do estado. No entanto, se pretendem vender diamantes falsos, terão de tirar da mesa os verdadeiros, porque qualquer um que os comparar descobrirá o engano.

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