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Religião

Fica conosco, Senhor!

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Dom Murilo S.R. Krieger - CNBB - publicado em 10/10/13

Seus corações arderam, é verdade, mas o gesto essencial para reconhecerem o Ressuscitado foi o pão partido e repartido. Foi nessa hora que Cristo revelou sua identidade

O desânimo e a tristeza se abateram sobre aqueles dois discípulos que voltavam de Jerusalém para Emaús. Eles haviam seguido Jesus de Nazaré e posto nele sua esperança, mas estavam decepcionados, porque tudo terminara de forma rápida, inesperada e frustrante. Condenado, Jesus não reagiu; castigado, não se defendeu; ironizado pelos soldados, não desceu da Cruz para mostrar o seu poder. Onde ficaram suas palavras, seus milagres e as multidões que o haviam seguido? O que restava de suas promessas e da esperança que havia despertado em tantos corações? Para os dois discípulos, só havia uma saída: deixar Jerusalém e voltar para a sua aldeia. Estavam voltando, na verdade, para sua vida antiga, sem perspectivas e sem esperança. Foi quando um desconhecido pediu para acompanhá-los e quis conhecer o motivo de sua tristeza. Tendo ouvido sua história marcada por decepções, passou a demonstrar-lhes que conhecia as promessas feitas pelos profetas, que a Cruz e a morte no Calvário, longe de terem sido o final de tudo, eram um novo caminho que se abria para eles. Suas palavras eram uma luz para aqueles corações envolvidos por nuvens escuras.

Tendo chegado a Emaús, vendo que o desconhecido ia adiante, os dois discípulos lhe fizeram um convite: “Fica conosco, Senhor” (Lc 24,29). Convite feito, convite aceito. Quando o companheiro de caminhada sentou-se à mesa com eles e partiu o pão, perceberam que ele era Jesus. “Neste momento, seus olhos se abriram, e eles o reconheceram. Ele, porém, desapareceu da vista deles” (Lc 24,31).

A explicação das Escrituras, na viagem com o desconhecido, não havia sido suficiente para abrir os olhos dos discípulos de Emaús. Seus corações arderam, é verdade, mas o gesto essencial para reconhecerem o Ressuscitado foi o pão partido e repartido. Foi nessa hora que Cristo revelou sua identidade. Ao participarem desse gesto de partilha, reconheceram aquele que durante sua vida sempre se doara aos outros – doação que teve seu ponto máximo no Calvário.

Os discípulos de Emaús e os primeiros cristãos compreenderam muito bem a importância das lições deixadas por Jesus; tanto, que se tornaram “perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2,42). Na “fração do pão”, faziam memória da vida, morte e ressurreição de Jesus. A instituição da Eucaristia, na noite da Quinta-feira Santa, havia antecipado, sacramentalmente, o dom que Cristo faria de si mesmo ao Pai, no Calvário. Agora, em cada fração do pão, essa memória seria perpetuada pelos séculos afora. A Igreja passaria a viver de Jesus eucarístico, por ele seria nutrida e por ele seria iluminada. A Eucaristia é mistério de fé e, ao mesmo tempo, mistério de luz. Sempre que a Igreja a celebra, podemos reviver a experiência dos dois discípulos de Emaús: “Seus olhos se abriram, e eles o reconheceram” (cf. EE, 3 e 6).

Os discípulos de Emaús, tendo reconhecido o Mestre, partiram com alegria para a missão. Deixaram sua aldeia e voltaram a Jerusalém, para se encontrarem com os outros discípulos, pois queriam comunicar-lhes a experiência que tinham tido com o Senhor. Tornaram-se, assim, testemunhas do Ressuscitado. É isso que Jesus continua realizando em cada Missa. Ele transforma seus discípulos em alegres missionários, anunciadores da certeza que nos deixou: “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20). Como precisamos dessa presença! “Sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro” (Bento XVI, 13.05.07).

Aproximar-se da Eucaristia é fazer nosso o pedido dos discípulos de Emaús: “Fica conosco, Senhor!” Como em Emaús, Jesus se senta conosco, toma o pão, pronuncia a bênção, parte o pão e o distribui. Assim, terminada a celebração, quando ouvimos: “Ide em paz, o Senhor os acompanhe!”, somos convidados e nos levantar e a voltar para a nossa Jerusalém, testemunhando a todos o nosso encontro com o Ressuscitado e enfrentando, com renovada alegria, nossa missão.

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