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Estilo de vida

Aposentadoria: a vida continua... igual?

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Revista "Misión" - publicado em 18/10/13

Conhecer-se, fazer planos, reestruturar as relações, informar-se sobre as mudanças econômicas e buscar novos projetos, chaves para enfrentar a mudança

Retraite, em francês. Retirement, em inglês. Pensionamento, em italiano. Jubilación, em espanhol. Aposentadoria, em português. Das cinco palavras, a que vem do espanhol parece ser a única que se refere ao momento de deixar de trabalhar como uma fase de alegria: "jubilación", termo derivado de "júbilo". Mas a fase da aposentadoria é mesmo alegre?


A psicóloga especialista em gerontologia, Maria Dolores Ortiz, afirma que, normalmente, as pessoas vivem uma espécie de lua de mel quando se aposentam. Mas adverte que "é preciso saber gerenciar bem a fase da aposentadoria desde o início". Do contrário, ela pode ser motivo inclusive de depressão, quando a pessoa não encontra um sentido na vida que vá além da profissão que desempenhou. Muitas pessoas se sentem inúteis.


Por isso, esta transição precisa ser acompanhada e, sobretudo, planificada, pois se passa de uma rotina vital de décadas a outra que, levando em consideração a expectativa de vida atual, pode durar 20, 30 anos ou mais.


Há alguns dias, Ana, preocupada, comentava em uma reunião de amigos que toda a sua família havia se mobilizado para encontrar uma ocupação para o seu pai, que se aposentaria dentro de poucos meses, depois de ter passado os últimos 30 anos como vendedor. Após uma intensa vida profissional, que envolvia relacionar-se com muita gente ao longo dos anos, a filha se preocupava pela passagem à inatividade profissional do seu pai.


Outros 30 anos foram dedicados por Maria José a uma escola de Educação Infantil. Há um ano, ela a deixou definitivamente nas mãos da sua filha: "Eu tinha medo de me aposentar e me assustava diante da ideia de envelhecer. Além disso, eu gostava muito do meu trabalho, apesar de já estar muito cansada", disse.


Ela se aposentou aos 67 anos e confessou que não foi um momento fácil. "Demorei uns três meses para me adaptar, porque, ainda que tivesse contato com a escola por meio da minha filha, sentia falta o mundo da educação, das crianças, das famílias." Maria José também teve uma profissão que envolvia conhecer e relacionar-se com muita gente.


O que fazer durante 8, 10 horas por dia, sem trabalhar? Depois desses três meses, Maria José começou a gostar da ideia de estar aposentada. "Comecei a preencher esse buraco de outra forma", contou. Por exemplo, ela começou a tocar piano, porque este sempre tinha sido um sonho seu.


Para uma pessoa que encerra sua vida profissional, é importante encontrar uma maneira de preencher todas essas horas do dia nas quais ela agora não desenvolve uma atividade regrada. "Não se pode viver com a ideia de que são férias perpétuas – comenta a psicóloga Maria Dolores Ortiz. Isso esgota qualquer um."


Aproveitar o tempo é precisamente algo que Luís aprendeu muito bem. Devido à sua profissão, ele se aposentou cedo. Enquanto outras pessoas da sua idade ainda estavam no cume da vida profissional, ele já havia tomado a decisão de se retirar da sua. Ainda reconhecendo sentir falta do exército, ele fez da sua aposentadoria uma fase de serviço e entrega aos outros, mas de outra maneira.


"Aprendi a encadernar livros e, como colaborava com a Cáritas paroquial, me propuseram que desse aulas de encadernação para grupos de idosos", contou. Depois, começou a dar os mesmos cursos para presidiários. Hoje, ele garante que vive um retiro "muito bom", mas reconhece que foi difícil se adaptar à vida civil. Seu segredo foi "ocupar-se para evitar preocupar-se".


Estes também são os planos de José Martin: manter-se ocupado. Aos 62 anos, faltam poucos dias para a sua aposentadoria. Por um lado, ele fez algumas contas e, por outro, decidiu que, depois de trabalhar quase 50 anos, é hora de descansar. "Não tenho medo da aposentadoria, pelo contrário. Agora me dedicarei à pintura, algo de que sempre gostei e que deixei de fazer por falta de tempo", comentou.


Algumas dicas para lidar com a mudança:

Conhecer-se. É preciso saber que não somos aquilo a que nos dedicamos. Somos valiosos per se, não pela profissão que desempenhamos.

Planejar. Depois dos dias de "que gostoso ficar sem fazer nada", é preciso voltar a estabelecer uma rotina. Não é possível viver eternamente de férias. É importante não ficar em casa o tempo todo e realizar tanto atividades físicas como intelectuais.

Reestruturar os relacionamentos. Deixa-se de compartilhar o tempo com os colegas de trabalho, mas a família e o cônjuge recuperam com a pessoa o tempo perdido. É uma nova etapa de ajustamento matrimonial. A compreensão é fundamental neste momento, no qual, mais do que nunca, a pessoa precisa se esforçar por colocar-se no lugar do outro. Também é uma etapa excelente para compartilhar e curtir os netos.

Informar-se sobre as mudanças econômicas. Aposentar-se supõe a perda de poder aquisitivo e este é outro fator a ser levado em consideração, já que pode se tornar fonte de conflitos. Por isso, é importante ser conscientes das condições econômicas que estão por vir. Da mesma forma, existem importantes descontos e facilidades para pessoas aposentadas, sobre os quais é preciso informar-se.

Novos projetos. Deixar de trabalhar não é deixar de viver. A aposentadoria é uma época para novas amizades, antigos hobbies e sonhos pendentes. O voluntariado é uma boa opção para manter-se ativos e oferecer toda a experiência acumulada ao longo da vida.

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