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Atualidade

A realidade sobre a crise econômica nos Estados Unidos

Amanda Lucidon

Fórum Libertas - publicado em 21/10/13

Até quando será possível viver à base de gastar muito mais do que se é capaz de produzir?

Se não tivesse havido acordo na semana passada, os Estados Unidos estariam a menos de 24 horas da suspensão de pagamentos, um fato que teria um impacto extraordinário na economia global. Pode-se discordar sobre se isso seria trágico ou não, mas, sem dúvida, pelo menos da perspectiva europeia, atingiria uma ferida que ainda não fechou.


A mídia, com sua tendência cada vez mais acentuada de simplificar e transformar as questões em uma luta entre o branco e o preto, apresenta o assunto somente como um conflito entre Obama e os republicanos, entre a reforma "Obamacare" e a aprovação do teto da dívida. Mas esta não é a questão de fundo.


O problema é como os Estados Unidos se acostumaram a viver: sobre uma montanha de dívidas e com um déficit público avassalador. Obama, do ponto de vista da economia dos Estados Unidos, apresenta resultados alarmantes: de 2009 a 2011, o déficit acumulado foi de 3,8 bilhões de dólares, cifra difícil até de imaginar.


Para situar um ponto de referência, Bush, que tampouco foi exemplar nesta questão, deixou, em 2008, um déficit de 459 mil milhões. Obama, no ano seguinte, mais do que triplicou este número, alcançando 1,4 bilhão.


É verdade que, neste período, houve uma crise econômica mais dura do que a Grande Depressão de 1929, mas, apesar disso, a máquina do endividamento é indiscutível e tem uma dimensão insustentável.


Até agora, isso foi sendo suportado. O debate neste momento é elevar o teto da dívida, que já é de 16,8 bilhões de dólares. Mas a questão que afeta todos nós é: até quando será possível viver desta maneira? Até quando será possível viver à base de gastar muito mais do que se é capaz de produzir?


É evidente que este foi o mal espanhol, por exemplo, e que, em seu momento, houve muitos economistas que defenderam que não era um problema financiar o crescimento apelando ao endividamento continuado. E deu no que deu.


Certamente, a Espanha não é como os Estados Unidos, as diferenças em seu papel econômico são astronômicas, mas é um insulto ao bom senso pensar que, por maior que seja o país, ele pode continuar funcionando à base de gastar muito além do que pode e resolver isso mediante uma injeção massiva de "dinheiro fabricado", de 85 mil milhões de dólares por mês.


Esta é a dimensão da terapia à qual os Estados Unidos vivem submetidos. É preciso sublinhar que, até agora, isso funcionou razoavelmente bem: têm baixas taxas de juros, inclusive os da dívida pública, e mantêm o dólar com certa fraqueza, o que facilita as exportações americanas e dificulta as importações.


Mas, no fundo de tudo isso, há um grande mecanismo de instabilidade que não valeria a pena tratar se não fosse porque o seu dano pode ser mundial, porque pode afetar todos nós. A saída da crise americana, por mais que se empenhem alguns economistas (que, por outro lado, pertencem ao grupo de cidadãos que idolatra Obama), está cambaleando.


Esta é a questão de fundo à qual ninguém, nem nos Estados Unidos nem em lugar nenhum, parece dar a atenção que merece.

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