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As provocações do Papa Francisco

Pope Francis drinks mate – pt

© ALESSIA GIULIANI/CPP

Manuel Bru - publicado em 24/10/13

Uma seleção de sete reações das pessoas diante de sete provocações que o Papa Francisco causa com seus gestos e seu testemunho

Há muitas coisas que já foram propostas pelo Papa Francisco com o seu testemunho, desde o início do seu pontificado – ou melhor, do seu "serviço" (precisamos aprender a trocar a linguagem, como ele faz).

E também são muitas as reações à provocação gerada pelas suas propostas. Comentarei sete delas: sete testemunhos seus, que são também sete propostas e provocações, e as consequentes reações da sociedade.

1. Humildade: a de um Papa que se inclinou, até tocar o balcão da sacada de São Pedro, para que fosse o povo quem o abençoasse e rezasse por ele, que se define como "principalmente um pecador" e que não espera, como outros irmãos seus no episcopado, que o motorista lhe abra a porta do carro.

2. Transparência: a de quem compartilha o que pensa com os que o visitam, sem mistérios nem ocultamentos absurdos, como quando explicou aos jornalistas, na volta do Brasil, as dificuldades da ida à Terra Santa ou as possíveis datas para a canonização de João XXIII e João Paulo II, com as vantagens e desvantagens de cada uma delas.

3. Normalidade (mais que austeridade, porque alguns costumes anteriores não eram luxuosos, mas um pouco anacrônicos): a de um Papa que usa seus sapatos velhos de sempre, que precisa morar "com outras pessoas", e que, quando viaja, leva ele mesmo a maleta com seu breviário e seu barbeador.

4. Proximidadecom todos: com os responsáveis da cúria romana, com aqueles com quem fala ao telefone (usado também para ligar para algumas pessoas que lhe escrevem, porque ele se sabe pai e irmão). Sua página preferida do Evangelho é a parábola do Bom Samaritano, não por ser a que mais cita, mas por ser a que mais vive.

5. Misericórdia: é sua palavra favorita. Deus é misericórdia, a Igreja é misericórdia – mais ainda, é como um hospital no campo de batalha do mundo, existe para curar as feridas das pessoas, não para remexer nelas.

6. Reforma: não só a reforma da cúria romana, não só uma reforma organizativa, mas uma reforma profunda, a de uma Igreja que sempre precisa estar se reformando e que, de vez em quando, recebe uma sacudida do Espírito Santo.

7. Novidade na continuidade: em todos os pontos anteriores, há uma continuidade progressiva com os últimos papas: a humildade de Bento XVI, a proximidade de João Paulo II, a transparência de João Paulo I, a reforma de Paulo VI, a misericórdia de João XXIII. Mas também uma novidade: na aceleração das mudanças, no estilo, nos acentos, na linguagem.

Por outro lado, cada uma destas propostas testemunhais provocou (porque elas são provocativas), no mundo inteiro, dentro e fora da Igreja, diversas reações:

– À sua humildade, quase todos reagiram com simpatia profunda, inaudita e universal.

– À sua transparência, com uma credibilidade imediata, que se rendeu à sua coerência.

– À sua normalidade, com um novo ou maior interesse pela sua mensagem; os gestos não são tão efêmeros como poderiam parecer, sobretudo quando alguns deles respondem a decisões bem discernidas.

– À sua proximidade, com a proximidade recíproca, que, em muitos casos, significa reintegração (quantos se sentem reconhecidos e reconfortados! Quantos "voltam para casa"!).

– À sua misericórdia, uns reagiram com gratidão e outros, com perplexidade.

– Ao seu lado reformador, muitos responderam com sentimentos de esperança; outros, com temor.

– E sua novidade na continuidade causou em alguns uma excessiva e suspeitosa preocupação por salvar a continuidade; em outros, dissimulada ou explícita rejeição; mas em muitos, quase todos, entusiasta fidelidade.

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