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Bangladesh: pobres vendem órgãos para pagar dívidas

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Agência Fides - publicado em 05/11/13

A ideia de vender órgãos não é nova e pessoas pobres de todo o sul da Ásia recorrem a ela há anos

A cruel prática da venda de órgãos em Bangladesh começou em 1982 e logo em seguida, teve início o comércio. Somente em 1999, o Parlamento do país promulgou a lei Organ Transplant Act, que proíbe o tráfico e a publicidade do comércio.

Segundo a lei, os transplantes são legais apenas entre parentes e marido e mulher. Todavia, o mercado negro continua a proliferar com a atuação de intermediários que identificam vendedores e compradores.

As cirurgias são efetuadas em hospitais particulares de Bangladesh, onde os médicos são coniventes, ou em países como Índia e Cingapura, onde o sistema de saúde é melhor.

Os intermediários falsificam passaportes e produzem documentos ‘legais’ que certificam que doador e destinatário dos órgãos a ser transplantados são parentes. Atualmente, além do tráfico de rins, existe também o de fígado e córneas, e em muitos hospitais já se faz a prova do DNA.

Kalai, que se encontra ao norte de Daca, no distrito de Jotpurhat, como muitas outras aldeias de Bangladesh, parece inicialmente uma região rural idílica; todavia, muitos de seus moradores foram obrigados a recorrer à venda de órgãos para pagar empréstimos de microcrédito.

No centro de Kalai, verdes arrozais são circundados pela poeira das ruas vizinhas, onde crianças brincam nuas perto dos pequenos bambus que sustentam as cabanas nas quais vivem. Como outros milhões de habitantes bengaleses de áreas rurais, crescem em dificuldades. Com a esperança de aliviar este estado de pobreza, muitos se endividam pedindo empréstimos e se deparam com uma situação ainda mais complicada quando não podem restituí-los.

A ideia de vender órgãos não é nova e pessoas pobres de todo o sul da Ásia recorrem a ela há anos. O que não se sabe é que muitos o fazem por que temem não poder pagar seus credores. Originariamente, estes institutos de crédito foram criados para ajudar as pessoas a saírem da pobreza, encorajar as microempresas e a emancipação das mulheres, oferecendo pequenos créditos àquelas que não conseguiam obter financiamentos bancários tradicionais.

(Agência Fides)

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