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Papa Francisco e a luta contra a escravidão

Albert González Farran/UNAMID

Aleteia Vaticano - publicado em 05/11/13

Sim, a escravidão ainda existe no mundo de hoje, e o Papa Francisco quer ter certeza de que a Igreja Católica está na linha de frente para eliminá-la

O Papa Francisco acolheu uma conferência reunindo acadêmicos, médicos e clérigos para discutir o problema crescente do tráfico de seres humanos. Com o aumento da mobilidade mundial, tem havido um aumento no comércio da prostituição, tráfico de órgãos, bem como a utilização de crianças e adolescentes para o comércio sexual e tráfico de drogas.

Os pobres dos países em desenvolvimento são especialmente vulneráveis​​, aceitando ofertas de empregos e uma vida melhor de criminosos sem escrúpulos, e acabando em um pesadelo de escravidão sexual, drogas e crime. Os pais são conhecidos por vender filhos para a escravidão e, quando as vítimas reclamam, seus familiares em casa são ameaçados com violência.

Marcelo Sánchez Soronodo, chanceler da Pontifícia Academia das Ciências, afirmou: "Alguns especialistas acreditam que o tráfico de pessoas vai ultrapassar tráfico de drogas e armas em uma década, tornando-se a atividade criminosa mais lucrativa do mundo".

Os críticos, às vezes, usam o tema da escravidão para atacar os católicos. Buscam referências na Bíblia para apoiar suas críticas. No Antigo Testamento, a escravidão é concebida como uma realidade social e econômica, e no Novo Testamento, São Paulo e São Pedro aconselham que os escravos obedeçam seus amos.

No entanto, não é tão simples assim. Apesar de o Antigo Testamento aceitar a escravidão, ele também estabelece regras rigorosas e detalhadas para o tratamento humano dos escravos. Eles deveriam ser tratados como membros da família. A escravidão temporária foi permitida como uma forma de as pessoas pagarem suas dívidas, e os escravos eram libertados depois de sete anos, com uma ampla quantidade de alimentos e pecuária, para que pudessem se estabelecer em liberdade.

Os escritores do Novo Testamento também reconheciam a legitimidade da escravidão, mas há outra evidência de um entendimento revolucionário da escravidão dentro do Novo Testamento, que se torna a base para a eventual abolição da escravatura.

Em Gálatas 3, 28, Paulo ensina que, em Cristo, não há "nenhum homem ou mulher, escravo ou livre". E em I Coríntios 7, 21, ele aconselha aos escravos que busquem a liberdade sempre que possível. São Paulo também aconselha o amigo Filêmon a receber de volta um escravo fugitivo, Onésimo. Ele deveria ser recebido como um irmão no Senhor, e São Paulo sugere que ele seja libertado. A tradição da Igreja diz que Filêmon libertou Onésimo, e que eles se reconciliaram como irmãos.

A Igreja primitiva continuou aceitando a realidade da escravidão, enquanto insistia em um tratamento humano; mas, no início do período medieval, a escravização de outros cristãos já havia sido abolida. Por volta do ano 1400, a atitude foi mudando, até chegar a ser contra todas as formas de escravidão. Foi o Papa Paulo III quem, no início de 1500, se pronunciou contra a escravização dos povos nativos americanos pelos colonizadores espanhóis e portugueses. Houve, finalmente, uma condenação contundente de toda forma de escravidão, pelo Papa Gregório XVI, em sua bula de 1839, "Supremo Apostolatus".

Críticos da tolerância cristã da escravidão deveriam saber que foi São Paulo, na carta aos Gálatas, quem sugeriu pela primeira vez que a ideia da escravidão era intolerável, afirmando que ia contra o ideal de fraternidade cristã, fundamentada na igualdade em Cristo.

Foram santos cristãos, como Patrício, Wulfstan e Anselmo que falaram profeticamente contra a escravidão, bem como o Papa Paulo III e Gregório XVI. Que os católicos individuais tenham desconsiderado o ensinamento papal e continuado apoiando a escravidão só mostra que muitos católicos são maus católicos.

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