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Simples num mundo complexo

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Ser simples não é fazer de conta que o mundo não é complexo (a isso chamo simplismo). E hoje esta tentação está aí

Por Pe. Alexandre Palma, em Voz da Verdade

Como encarar a complexidade da vida de uma maneira simples, mas não simplista? Eis uma questão que me vai dando que pensar. Parto do pressuposto que nos vamos dando progressiva conta da complexidade que nos envolve. Pense-se, desde logo, no universo, este enorme espaço que habitamos. Aí, como nos vão mostrando os cientistas, tudo parece de uma complexidade sublime: desde a coreografia por corpos celestes à sofisticação dos processos biológicos; desde a estrutura da matéria ao misterioso mundo do cérebro humano. Mas não é sequer no mundo da natureza que a complexidade da vida se torna mais inquietante. Talvez seja na complexidade que somos e transportamos connosco que isso mais se note. Penso nas múltiplas solicitações com que somos constantemente bombardeados e que nos fazem oscilar entre coisas muito contraditórias, ao ponto de vivermos divididos. Mais ainda, penso na nossa vida interior, onde também experimentamos a luta entre impulsos contraditórios. Algo que se aproximará daquele estado de coisas que S. Paulo, em chave moral, descrevia assim: «não faço o bem que quero e faço o mal que não quero» (Rm 10, 19). A vida é de verdade contraditória. Por isso, ela é complexa. Julgo que a nossa dificuldade em lidar com esta complexidade justifica uma das maiores patologias do nosso tempo: um evidente e doloroso desnorte de vida, ora na nossa vida pessoal, ora na nossa vida comum. As mais das vezes, nas duas em simultâneo!

Ao tema da complexidade vem-se dedicando toda uma corrente de pensamento contemporâneo. Segundo ela, vivemos hoje o «desafio da complexidade». Esclareça-se que complexidade não tem aqui o sentido vulgar de complicação ou dificuldade, mas com ele quer-se indicar essa confluência de realidades e solicitações de sinal contrário que caracteriza o mundo da nossa vida. Voz maior dessa corrente é o pensador francês Edgar Morin. Em estilo autobiográfico, ele afirma: «nunca pude eliminar a contradição interior. Sempre senti que as verdades profundas, antagónicas umas às outras, eram para mim complementares, sem deixarem de ser antagónicas. Nunca quis esforçar-me por reduzir à força a incerteza e a ambiguidade». Estas palavras são, a meu ver, mais do que o simples reconhecimento da complexidade da vida. Elas encerram já a proposta de um modo de lidar com ela: não anular à força a complexidade da vida. Resistir ao simplismo de ignorar certos aspectos da vida apenas e só porque eles são difíceis e nos incomodam. Esta simplificação enferma do vício de desintegrar a realidade. Precisamos, ao invés, de um pensamento não parcelar, isto é, que não ceda à tentação de separar o que a vida insiste em juntar. Se a vida é mesmo complexa e contraditória, então precisamos mesmo de saber pensar e, sobretudo, de saber viver na tensão destes muitos contrários com que a vida a cada momento nos confronta. Caso contrário, da vida apenas recolheremos os fragmentos, não a globalidade; apenas as partes, não o todo.

Vivemos tempos difíceis. Julgo que será pacífico afirmá-lo. Difíceis não apenas pelas convulsões económicas e políticas que o nosso país (e não só) vai atravessando. Difíceis, sobretudo, pelo referido desnorte que nos vai afectando. No meio de tantas solicitações de sinal contrário (pessoais, familiares, sociais, laborais, eclesiais, etc.), como encontrar um modo justo e sábio de interpretar a vida para a poder viver? Respeitando a complexidade da vida e do mundo. Porque ser simples não é fazer de conta que o mundo não é complexo (a isso chamo simplismo). E hoje esta tentação está aí! Ser simples passará por procurar formas de equilibrar as muitas variáveis da equação da vida, sem querer desenvencilhar-se de nenhuma de modo arbitrário. Não é seguramente a via mais fácil. Mas quem disse que viver é fácil?

(Publicado em Voz da Verdade)

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