Aleteia
Terça-feira 27 Outubro |
São Fulco
Estilo de vida

Um relacionamento "com os olhos vendados"

© iofoto/SHUTTERSTOCK

Juan Ávila Estrada - publicado em 08/11/13

As pessoas perdem cada vez mais o pudor diante da nudez física, mas têm cada vez mais dificuldade em mostrar-se como realmente são por dentro

Em muitas culturas dos séculos passados (e algumas atuais), os relacionamentos entre esposos eram estabelecidos por pactos dos pais dos noivos e/ou pelas convenções do Estado, do clã ou da família. O importante naquela época não era amar, nem sequer conhecer a pessoa com a qual se conviveria para sempre; o importante era fortalecer os Estados, garantir a estabilidade do clã ou salvar uma família da ruína.


A partir do século XIX, a relação entre esposos mudou um pouco, com a chegada da Revolução Industrial, e começou a ser antecipada por uma etapa prévia que conhecemos hoje como "namoro".


Hoje, existe a possibilidade de escolher a pessoa com quem se quer casar, conviver com ela, conhecê-la, para descobrir, muito além do enamoramento e dos interesses ocultos, se essa pessoa se aproxima do que se espera de um cônjuge.


O perigo dos estilos de "escolha" está em que também o namoro poderia estar amarrado à cegueira voluntária. Na primeira forma, chega-se "cego" ao casamento, pois só no dia da cerimônia as pessoas conhecem com quem se casarão. Como será? Como agirá? Conseguirei amá-lo(a)?


No segundo estilo, quando o enamoramento está acima do amor verdadeiro, tende-se a cobrir ou ignorar todos os defeitos que saltam à vista, mas que, no atual estado de êxtase, a pessoa é incapaz de reconhecer; ou seja, muitos estabelecem relacionamentos cegos, nos quais, ao invés de conhecer-se melhor, simplesmente observam o que querem, o que lhes agrada, o que lhes convém, para poder se apegar ao que chamam de "amor".


O namoro e o enamoramento mal conduzidos tendem a ser como binóculos: de um lado, maximizam as virtudes e, do outro, minimizam os defeitos.


Neste sentido, a pessoa tende a ter uma enorme "deficiência visual" para captar adequadamente o outro como ele é, sobretudo quando tal afeto é filtrado pelas próprias razões, que "a própria razão desconhece".


Se a isso acrescentamos uma vida sexual ativa entre os namorados, o risco é maior ainda, já que o sexo tem poder apreensivo e de alteração da consciência, e pode construir a relação sobre falsos conceitos do outro ou sobre fracas experiências físicas.


A enganosa miragem de uma vida sexual prazerosa e plena pode fazer a pessoa acreditar que esta é suficiente para o casamento e o amor.


No entanto, é preciso saber captar outros elementos que, se não existirem, tornarão impossível o dom de si ao outro. Não se pode chegar ao casamento unicamente conhecendo o agir sexual da pessoa, mas sem saber como ela se relaciona com sua família, seus amigos, o trabalho, o dinheiro, a frustração, a dor, a doença etc.


O verdadeiro conhecimento não pode acontecer somente pela nudez do corpo, mas pelo dom de poder ser você mesmo diante da outra pessoa, e ser amado como tal. O dom de si não acaba na genitalidade, pois a compatibilidade sexual não garante um amor estável.


Como namorados, é importante conhecer-se vestidos, mas despidos de preconceitos, de vendas emocionai, para poder chegar ao sacramento do matrimônio com a certeza de ter dado um passo seguro diante daquela pessoa que se escolheu, apesar dos seus defeitos.


As pessoas perdem cada vez mais o pudor diante da nudez física, mas têm cada vez mais dificuldade em mostrar-se como realmente são por dentro. Cobrem suas emoções, ocultam seus sentimentos, calam sua dor.


Por isso, encontramos casais que são excelentes amantes, porém maus esposos; o único lugar em que são felizes é na cama, mas, fora dela, é tudo um desastre.


O amor verdadeiro não é frio nem calculador, mas sabe ponderar tudo, sem maximizar nem minimizar nada; sabe aquilo com que é capaz de lidar ou não, mas sobretudo não espera ingenuamente mudar a outra pessoa.


É absolutamente indispensável que haja um conhecimento o mais profundo possível da outra pessoa. E não pode haver mentiras em um relacionamento que caminha rumo ao matrimônio, já que a convivência sempre acabará tirando a venda dos olhos e, irremediavelmente, cada um será revelado como é na verdade.


Não podemos ocultar para sempre o que somos.

Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Tags:
CasamentoNamoroRelacionamentoSexualidade
Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
Philip Kosloski
3 poderosos sacramentais para ter na sua casa
Aleteia Brasil
Quer dormir tranquilo? Reze esta oração da no...
TRIGEMELAS
Esteban Pittaro
A imagem de Nossa Senhora que acompanhou uma ...
Aleteia Brasil
O milagre que levou a casa da Virgem Maria de...
No colo de Maria
Como rezar o terço? Um guia ilustrado
SAINT MICHAEL
Philip Kosloski
Oração a São Miguel por proteção contra inimi...
São Padre Pio de Pietrelcina
Oração de cura e libertação indicada pelo exo...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia