Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Quarta-feira 20 Janeiro |
São Sebastião
home iconEstilo de vida
line break icon

O dia em que encontrei João Paulo II em uma pizzaria

Ron Zack

Cari Donaldson - publicado em 18/11/13

Eu costumava afirmar que a Igreja católica desapareceria em breve, mas não conseguia tirar da cabeça a ideia de que ela era exatamente o que dizia ser

Durante uma década, perambulei por um deserto espiritual tentando encontrar Deus; busquei-o em todos os lugares, exceto no cristianismo. Busquei-o nas práticas ocultistas da Nova Era, no budismo, e em diversas religiões não cristãs organizadas no mundo.

Um dia, morando na BibleBet (extensa região dos EUA na qual o cristianismo evangélico tem um profundo arraigo social, N. da R.), recebei um "Chicktract" (breves frases evangélicas criadas pelo pregador norte-americano Jack T. Chick, fortemente anticatólicos, N. da R.), que insistia em que os católicos eram satânicos que adoravam algo que ele chamava de "bolacha morta".

O "tract" era tão chocantemente desagradável, que me senti indignada pelos católicos. Em uma tentativa de refutar as selvagens acusações de Jack Chick, me surpreendi comigo mesma pesquisando sobre o catolicismo pela primeira vez. Foi assim que comecei a saber algo da Eucaristia, sobre o ensinamento de que o próprio Deus vem aos fiéis com um pedaço de pão; e então toda a minha visão de mundo mudou.

Este ensinamento era tão radical, tão bizarramente absurdo, que não podia ser verdade. Mas o pensamento continuava na minha cabeça: e se for verdade? E se o Deus que eu estava buscando estivesse justamente ali, esperando-me, paciente e humildemente, sob a aparência de pão?

Respondi tentando escapar, tapando os ouvidos, fechando os olhos e dizendo a Deus: "Não consigo te ver, não consigo te ouvir". O que aconteceu depois foi a sua resposta.
________________

De repente, o mundo inteiro parecia não se interessar em outra coisa a não ser temas católicos. Em algum lugar da Flórida, uma mulher chamada Terri Schiavo estava morrendo. Falava-se disso no rádio o dia todo. Meu seguro mundo secular falava de morrer com dignidade, dos últimos pedidos e a autoridade dos familiares, que era tudo bom e estava bem. Mas havia todos esses bispos católicos que não queriam se calar sobre a santidade da vida humana, sobre como esta vida supostamente deveria ser considerada como tal da concepção até a morte, e de como o marido de Terri Schiavo estava defendendo um assassinato.

Eu queria que a Terri Schiavo fosse embora, porque ela tinha trazido o tema dos bispos à tona, E cada vez que eu ouvia um bispo falar, começava a pensar nas ideias católicas da sucessão apostólica e em suas afirmações sobre uma linha sem rupturas até São Pedro e os apóstolos, sua continuidade, unidade e plenitude da verdade, a Eucaristia… Sempre voltávamos à Eucaristia.

Então, tragicamente, Terri Schiavo se foi, assassinada pelas pessoas com as quais ela deveria ter podido contar, e eu, de maneira egoísta, pensei que poderíamos voltar à nossa vida cotidiana livres de bispos, como de costume. Mas estava equivocada, muito equivocada: alguns dias depois, o mundo se concentrou nos últimos dias do Papa João Paulo II. Pensei que o problema católico tinha sido ruim com o caso Schiavo, mas ele chegou a níveis intoleráveis durante os últimos dias do Papa.

Todos os dias, a igreja católica do meu bairro ficava com o estacionamento lotado. Enquanto eu manobrava com irritação entre os carros estacionados na rua, lançava olhares assassinos àquele edifício de teto cor turquesa: a igreja católica da Rainha da Paz. Com um teto assim, seu ridículo nome católico e toda essa gente dentro dele, unida na dor e na oração pelos últimos dias de certo homem velho em Roma, esse edifício acabou sendo o motivo do meu desespero.

O sábado, 2 de abril de 2005, amanheceu lindo e claro. Meu esposo, minha filha de dois anos e eu fomos fazer compras para o futuro bebê, que deveria chegar em algum momento dos próximos dois meses. Paramos para almoçar em uma pizzaria local, que tinha telões, um buffet de pizzas de todo tipo e um ambiente tão barulhento, que nossa pequena não precisaria ficar quieta para não incomodar os outros clientes.

Nós nos sentamos e, enquanto meu marido levava minha filha ao buffet, meus olhos se dirigiram a um telão brilhante, e então vi a notícia. A televisão estava sem som, então, a única forma de entender o sentido das imagens era ler as manchetes que apareciam na tela: o Papa João Paulo II, depois de uma dura luta pública contra o Parkinson, acabava de morrer. Eu li aquilo e, de repente, comecei a chorar. Ali, em meio a uma imensidade de pizzas, chorando. Por um homem que eu não conhecia, que era líder de uma igreja na qual eu não queria pensar. Mas eu continuava chorando.

Corri até o banheiro antes de que minha família pudesse voltar à mesa e me perguntar o que estava acontecendo. No banheiro, milagrosamente vazio, comecei a soluçar de tanto chorar. Sentia que o meu coração estava destruído pela perda. E não conseguia entender o que estava ocorrendo; pensei que poderiam ser os hormônios da gravidez ou uma espécie de crise nervosa. Apesar de eu não me considerar parte do clube anticatólico dos "Chicktract", tampouco sentia amor pela Igreja. Uma das minhas frases favoritas, quando se falava de algo católico, era: "A Igreja vai cair pelo seu próprio peso inflado. Se tivermos sorte, veremos isso nesta geração".

Esta era a mulher que viu a si mesma soluçando no banheiro de uma pizzaria pela morte do Papa. Mas, ao invés de ficar no meu possível colapso mental, recuperei a calma, lavi o rosto e voltei para a mesa, sentando-me de costas para a televisão.
________________

Um ano depois da morte de João Paulo II, meu marido e eu entramos na Igreja. Duas semanas depois, batizamos nossos filhos. E, ainda que a conversão radical de uma feminista da Nova Era a uma mãe católica de seus filhos não seja um dos milagres oficiais reconhecidos para a sua canonização, tenho certeza de que foram as orações e a intercessão do Beato (em breve, santo) João Paulo II que me ajudaram a voltar à Santa Mãe Igreja.

(Trecho do meu livro "Pope awesome and other stories: how I found God, had kids and lived to tell the tale")

Tags:
Igreja CatólicaJoao Paulo II
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
1
Pope Audience Wednesday
Vatican News
A importância de ir à Missa aos domingo, segundo o Papa Francisco
2
Aleteia Brasil
Na íntegra: as três partes do Segredo de Fátima - e uma interpret...
3
UNPLANNED
Jaime Septién
Filme contra o aborto arrasa nas bilheterias dos EUA
4
FATHER PIO
Maria Paola Daud
Quando Jesus conversou sobre o fim do mundo com o Padre Pio
5
BLESSED CHILD
Philip Kosloski
Cubra seus filhos com a proteção de Deus através desta oração bíb...
6
FETUS
Francisco Vêneto
Abortos no mundo em 2021 já superam mortes por covid em toda a pa...
7
POPE AUDIENCE
Reportagem local
A oração de cura que pode ser dita várias vezes por dia
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia