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Turismo e Religião

© Luc OLIVIER/CIRIC

Dom Murilo S.R. Krieger - CNBB - publicado em 19/11/13

No campo do turismo são imensas as possibilidade de expressões de amor, pois acolhe-se o outro e procura-se responder às suas necessidades

Poucos estados do Brasil têm tantas belezas a mostrar aos turistas como a Bahia. Poucas cidades da América Latina tem o potencial turístico de Salvador. Ora, o turismo, em nossos dias, é um fato social e econômico com muitas dimensões. Milhões de pessoas se deslocam anualmente, dentro do próprio país ou em direção a outros países. Além disso, uma multidão de pessoas vive do turismo, participando dele como agentes de viagens, funcionários de hotéis e de restaurantes, em atividades auxiliares ou, então, como residentes dos lugares que atraem turistas. Pois bem, é nesse amplo campo que se desenvolve a Pastoral do Turismo – isto é, a presença e a ação do pastor junto àqueles que partem para conhecer e admirar outras paisagens, para fazer uma viagem histórica, para descansar ou para fazer uma experiência religiosa; o bom pastor se faz presente, também, junto àqueles que, vivendo do turismo, necessitam de uma assistência pastoral especial.

“O mundo do turismo constitui uma realidade extensa e multiforme, que exige uma atenção pastoral específica”, lembra o Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes. “O propósito central da pastoral do turismo é o de suscitar aquelas condições excelentes que ajudam o cristão a viver a realidade do turismo como momento de graça e de salvação. O turismo pode ser considerado, sem dúvida, como um daqueles novos areópagos de evangelização, um daqueles grandes campos de civilização contemporânea e da cultura, da política e da economia, nos quais o cristão é chamado a viver sua própria fé e sua vocação missionária.” (“Orientações para a Pastoral do Turismo”, 18).

A Pastoral do Turismo deve inserir-se na pastoral ordinária da Igreja e coordenar-se com outros setores. O lugar onde ela se desenvolve é a comunidade local. Ali o turista deve receber acolhida cristã, na linha do que nos ensina o autor da carta aos Hebreus: “Não descuideis da hospitalidade; pois, graças a ela, alguns hospedaram anjos, sem o perceber” (Hb 13,2). Acolher os turistas e apoiá-los em sua busca da beleza e do repouso é a expressão de uma certeza: cada pessoa tem um valor único, pois criada à imagem e semelhança de Deus. Essa acolhida se completará no convite para participarem das celebrações religiosas. Ali manifestamos que nossa unidade vai além dos laços de sangue e da própria cultura: irmãos procedentes de lugares diversos, unem-se numa mesma oração, mesmo se proferida em línguas diferentes. Os turistas, por seu lado, são convidados a interessarem-se pela comunidade que os acolhe, demonstrando-lhes interesse em conhecer seus valores e expressando-lhes solidariedade.

No campo do turismo são imensas as possibilidade de expressões de amor, pois acolhe-se o outro e procura-se responder às suas necessidades porque nele se vê o rosto de Jesus Cristo.

Nos santuários e lugares sagrados, a prática da acolhida se faz ainda mais necessária. Muitos turistas que os procuram não o fazem pelo sentimento religioso, mas por motivos culturais, históricos ou de descanso. Nessa procura, não poderemos ler sinais de um desejo de retorno a Deus? Para muitos turistas, essas visitas serão, talvez, a única oportunidade para conhecer a fé cristã – daí a importância de sermos capazes de ajudá-los na difícil viagem ao mais íntimo do próprio coração.

O turismo nos ajuda a descobrir que tanto o homem como a mulher têm sede de novos horizontes. O ser humano é inquieto por natureza. Somos eternos viajantes, à procura do novo, do desconhecido, do belo. Muito faremos se ajudarmos os turistas a descobrirem que, no fundo, suas insatisfações e buscas têm um objetivo e um nome: Deus. Dito isso de outra forma: Turista, que sobes montes para ver horizontes; homem ou mulher de alma errante e sedenta de verdades, que buscas a solidão para ter companhia; coração insatisfeito que vagueia, que voa, mas que também caminha; peregrino inquieto, desejoso de andar por mil estradas: teus caminhos vão a muitos lugares… E tu, aonde vais?…

(CNBB)

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