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Será que o Papa Francisco é realmente um progressista?

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Pe. Dwight Longenecker - publicado em 20/11/13

A ideia de que toda a criação está em uma constante e gloriosa ascensão é insidiosa quando aplicada à história da humanidade e à alma individual

O Papa Francisco continua desafiando os esforços da mídia por limitar a sua mensagem e enquadrá-la em categorias pré-definidas. Em uma de suas homilias matinais desta semana, o Papa alertou contra a negociação com o espírito do mundo.

Tal negociação leva a uma uniformidade monótona, a um "progressismo adolescente" e ao sacrifício humano. Ele chamou tal negociação de "apostasia" e a comparou ao adultério. Mais uma vez, falou abertamente sobre o demônio e seus enganos.

A atração do mundo desenvolvido, moderno e rico é aceitar sem questionar o agradável, prazeroso e sorridente materialismo da nossa sociedade. O caminho do mundo é apresentado como belo, satisfatório e inofensivo. E, em nosso desejo de seguir a multidão e apenas "encaixar-nos" nela, aceitamos todos os confortos que o mundo tem a oferecer.

Fazer isso é amar o caminho do mundo mais do que o caminho do Senhor. Tentações sutis nos arrastam rumo aos valores e ambições mundanos, ao invés de aceitar as exigências do seguimento de Cristo. A tentação é conformar-se com o mundo, ao invés de deixar-se transformar por Cristo, o Senhor. Esta conformidade leva ao que o Papa chama de "progressismo adolescente".

Progressismo é a suposição ingênua de que cada dia, em todos os âmbitos, estamos nos tornando melhores. A atitude progressista é fruto de uma aceitação ideológica da teoria da evolução. Enquanto a teoria da evolução pode ser um modelo útil para a compreensão do desenvolvimento da vida na Terra, é nefasta quando se torna uma ideologia.

A ideia de que toda a criação está em uma constante e gloriosa ascensão é insidiosa quando aplicada à história da humanidade, e é especialmente perigosa quando aplicada à alma individual.

A falácia de que todos nós estamos inexoravelmente ascendendo a algum tipo de Ponto Ômega leva as pessoas a assumirem que nada pode dar errado. Os avanços da ciência e da tecnologia sustentam esta visão ingênua.

Uma vez que temos satélites e viagens espaciais, iPhones e comunicação instantânea, acreditamos que a nossa civilização é uma sociedade cada vez mais esplêndida. Este ponto de vista é ainda mais ingênuo quando aplicado à moralidade, e é então que a declaração misteriosa e assustadora do Papa, de que esse progressismo leva ao "sacrifício humano", pode ser entendida.

Se os membros de uma sociedade estão absolutamente convencidos de que a sua cultura não é apenas a melhor de sempre, mas que não pode deixar de se tornar cada vez melhor e melhor, eles permanecerão cegos diante dos horrores perpetrados por tal sociedade.

Este progressismo ideológico é um otimismo perigosamente imprudente. Nada pode deter este tipo de ideologia, e aqueles que acreditam nela seguirão confiadamente qualquer plano de engenharia social. Considerarão a eutanásia, o aborto, as guerras, a limpeza étnica e o genocídio como avanços em sua causa gloriosa e infalível.

Progressismo é uma forma de justiça pessoal. Assim como o religioso hipócrita, o ideólogo progressista não imagina que ele ou os membros do seu grupo podem fazer algo de errado. O Papa está certo em chamar este progressismo de "adolescente": como típicos adolescentes, aqueles que professam esta ideologia estão inabalavelmente convencidos da sua própria retidão; sua arrogância é acompanhada por sua ignorância.

O problema do progressismo é que ele é incorrigivelmente dogmático e incapaz de autocrítica. O progressista não consegue criticar a si mesmo; se conseguisse, deixaria de ser progressista. Seu pressuposto básico é que ele não só é bom, mas está ficando cada vez melhor, e se isso é verdade, então não há espaço para a autocrítica. E onde não há espaço para a autocrítica, não há espaço para a autoconsciência.

A prática cristã do arrependimento é a única resposta para tão perigoso farisaísmo. Arrepender-se não é simplesmente envergonhar-nos pelas coisas ruins que fizemos; ele envolve um autoexame saudável e um espírito de autocrítica maduro, que abrem o caminho para amadurecer a autoconsciência. Com isso, surge a humilde percepção de que, sem Deus, estamos vazios e perdidos. Mas também percebemos que, com Deus, tudo é possível.

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