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“Misericordiando”: a palavra favorita do Papa, inventada por ele mesmo

© FILIPPO MONTEFORTE/AFP
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Jorge Milia, amigo do Papa Francisco, relata um dos seus encontros com o Santo Padre, no qual conversaram sobre este interessante gerúndio

Há menos de dois meses, em Santa Marta, em uma sala austera, enquanto eu me recuperava da emoção de ter reencontrado meu amigo, ele brincava comigo sobre as histórias dos seus neologismos:
 
– Quem poderia imaginar, há 50 anos, que o mais rebelde dos meus alunos escreveria no L'Osservatore Romano? Se eu soubesse, nem teria mandado você fazer prova…
 
Ele pode ser o Papa, mas teria estranhado se eu não revidasse; então, eu lhe disse:
 
– Quem poderia imaginar, há 50 anos, que eu seria recebido por um Papa "neologista", que reinventa o latim, o espanhol, o italiano…?
 
O bom do encontro é rir juntos. Eu sabia que o tempo (ainda que eu tivesse uma hora) seria curto e possivelmente não seria suficiente nem para uma décima parte do que eu gostaria de perguntar; mas eu não abriria mão de alguns "bergoglismos", para acrescentar a este texto do blog Terre d'America e publicá-lo no jornal vaticano L'Osservatore Romano.
 
Existe um, talvez o mais querido por ele, que é o "misericordiando", que foge das gírias de Buenos Aires porque é de sua autoria, e não tem a ver somente com a misericórdia (que nele é mais um sentimento que uma palavra), mas também está relacionado ao seu lema: "Miserando atque eligendo".
 
Eu havia guardado dois parágrafos dele com relação ao tema: "A mensagem de Jesus é esta: a misericórdia. Para mim, e digo isso humildemente, é a mensagem mais forte o Senhor: a misericórdia"; ele disse isso alguns dias depois da sua eleição, na paróquia de Sant'Anna.
 
Uma explicação sobre "misericordiando" já havia sido dada ao Pe. Antonio Spaldaro, SJ, diretor de La Civiltà Cattolica, na extensa reportagem publicada há algumas semanas, mas nós sempre tentamos encontrar algo a mais, e às vezes é útil continuar fazendo perguntas…
 
– Por que "misericordiando"? As pessoas não entendem muito, mas gostam.
 
– O gerúndio latino "miserando" não tem tradução em italiano nem em espanhol. Então, tive a ideia de traduzi-lo com outro gerúndio que não existe: "misericordiando".
 
– Uma boa invenção. Ou melhor, um neologismo papal. Também porque, em italiano e espanhol, o "miserando" se parece mais com "miséria" que com "misericórdia" – e uma coisa não tem nada a ver com a outra, são realidades opostas.
 
– Pode ser.
 
– Além disso, o senhor nunca largou este tema da misericórdia.
 
– Eu sou um pecador em quem o Senhor pôs os olhos – respondeu-me com grande humildade, assim como fez diante dos cardeais.
 
– "Miserando atque eligendo". Foi algo assim que o senhor me explicou do seu lema quando o criaram cardeal. Escolhido pela misericórdia
 
– Isso mesmo. Eu acredito nisso, eu vivo isso.
 
Volto a recordar minhas anotações e um parágrafo do seu discurso de 7 de abril. "Deixemo-nos envolver pela misericórdia de Deus; confiemos na sua paciência, que sempre nos dá tempo; tenhamos a coragem de voltar para sua casa, habitar nas feridas do seu amor, deixando-nos amar por Ele, encontrar a sua misericórdia nos sacramentos. Sentiremos a sua ternura maravilhosa, sentiremos o seu abraço, e seremos, também nós, mais capazes de misericórdia, paciência, perdão e amor".
 
Fez-se um silêncio entre nós. Eu olhei para ele seriamente, como se estivesse falando de um tema complexo:
 
– Quanto tempo o senhor acha que vai demorar para que a palavra "misericordiando" seja incorporada aos livrinhos de palavras cruzadas? Catorze horizontal, neologismo papal, quinze letras…
 
Ele soltou uma gargalhada. Nós dois rimos.
 
(Texto de Jorge Milia, ex-aluno e amigo pessoal do Papa Francisco. Artigo publicado originalmente em Terre d'America)
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