Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Segunda-feira 26 Julho |
home iconEstilo de vida
line break icon

Precisamos do diálogo porque somos pessoas

© Einar Muoni

Reporte Católico Laico - publicado em 26/11/13

O diálogo é uma troca verbal e gestual, mas com uma dinâmica inerente à relação interpessoal, que, em sua mais autêntica expressão, é comunhão

O diálogo em si não é algo opcional ou adicional para o ser humano. Faz parte de sua condição de pessoa: ser-para-a-comunicação-e-a-comunhão. Isso equivale a dizer: ser-para-o-diálogo.

O ser humano não foi criado somente para coexistir em sociedade (no significado mais pobre destes termos), mas para "con-viver", "viver com", comunicando-se. E esta comunicação é a base e o sentido da cultura como âmbito, ar, lar do desenvolvimento humano.

O diálogo é uma troca verbal e gestual, mas com uma dinâmica inerente à relação interpessoal, que, em sua mais autêntica expressão, é comunhão.

A genuína relação dialogal denota um propósito de estima, simpatia e bondade por parte de quem o estabelece. Algumas características do verdadeiro diálogo são: clareza, acima de tudo; gentileza, porque quem dialoga não é orgulhoso, não busca ferir o outro, não é impositivo, evita formas violentas, é paciente e generoso.

A confiança também caracteriza o diálogo: confiança tanto no valor da própria palavra quanto na atitude de aceitação por parte do interlocutor, procurando conhecer a sensibilidade do outro e não ser incômodo e incompreensível para ele. Como podemos perceber, o diálogo é um exercício de racionalidade, bem como de bondade.

Dialogar não significa perder a própria identidade, mas sim saber escutar, compreender e, no que valer a pena, seguir. O clima de diálogo é de amizade e serviço, sobre o sólido alicerce da verdade.

Quando prestamos atenção no que une, e não no que divida (metodologia e pedagogia profundamente pessoais e personalizantes), percebemos sem dificuldade a grande abertura que a disposição ao diálogo traz.

Ninguém pode ser excluído antecipadamente, pois os fatores fundamentais de confluência são muitos e maravilhosos: a pessoa, a vida, a comunidade, a paz, os direitos e deveres humanos, a solidariedade, a condição ética, a preocupação ecológica, os anseios transcendentes.

O Papa Paulo VI, na encíclica "Ecclesiam Suam", comentou algumas características do diálogo: este exclui fingimentos, rivalidades, enganos e traições; não pode silenciar a denúncia do que significa guerra de agressão, de conquista e de predomínio (cf. n. 99).

O diálogo, quando é autêntico, é feito de sinceridade e verdade. Ele é, de fato, uma partilha entre seres racionais, livres, responsáveis, iguais em sua dignidade. Dialogar não é simplesmente bater um papo bem humorado, nem um passatempo de relações públicas. Por isso, convidar ao diálogo e aceitar este convite nos situam em um cenário de séria convicção e grande disponibilidade.

Progredir em humanidade exige crescer na atitude e no exercício do diálogo. Este é um reconhecimento da fraternidade, da aceitação e da justiça, abertura à solidariedade. Uma situação grave de rompimento no estabelecimento e crescimento de uma convivência saudável acontece precisamente quando se exclui o diálogo. Porque a pessoa se fecha a qualquer acordo e exclui toda reconciliação.

Nos sistemas totalitários e nas políticas e ideologias excludentes, parte-se da premissa de que não há nada a ser dialogado, mas que a solução é a eliminação do adversário. É exatamente o que ocorre nos enfrentamentos religiosos, origem das guerras de religião.

Algo desastroso que acontece nestes casos e que se identificam posições e pessoas. Esquece-se de que, ainda que o erro em si possa não ter direto nem ser negociado com a verdade, quem está no erro não deixa de ser pessoa e, portanto, possui direitos inalienáveis.

Se a humanidade sobreviveu até hoje, é porque, de alguma maneira, ela abriu caminho pelo menos para a tolerância. E porque, cedo ou tarde, foi possível estabelecer algum diálogo.

(Artigo de Dom Ovidio Pérez Morales, publicado originalmente pelo Reporte Católico Laico)

Tags:
DiálogoSociedade
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Top 10
1
Reportagem local
A arrepiante oração de uma mulher no corredor da morte por ser ca...
2
Aleteia Brasil
Sorrisão e joelhos: 2 pais brasileiros e seus bebês que emocionar...
3
st charbel
Reportagem local
Por acaso não está acontecendo o que São Charbel disse?
4
JENNIFER CHRISTIE
Jeff Christie
Minha mulher engravidou de um estuprador – e eu acolhi o bebê nas...
5
CROSS;
Reportagem local
O que significa o sinal da cruz feito sobre a testa, os lábios e ...
6
CONFESSION, PRIEST, WOMAN
Julio De la Vega Hazas
Por que não posso me confessar diretamente com Deus?
7
PADRE PIO
Philip Kosloski
A oração que Padre Pio fazia todos os dias ao Anjo da Guarda
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia