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Alegria: primeiro sintoma da renovação da Igreja

© Jean Matthieu GAUTIER/CIRIC
Jóvenes en un "Party anuncio" durante la JMJ Madrid 2011
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O Papa Francisco propõe uma reforma que parte da conversão, da participação de todos, da opção preferencial pelos pobres, do diálogo com o mundo

Toda a Igreja e grande parte da sociedade receberam com interesse e expectativa a exortação apostólica do Papa Francisco, que resume o trabalho da Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização, convocada pelo seu antecessor e confidente, Bento XVI.
 
Confesso que me chamou a atenção o que ouvi em uma conferência sobre este tema: num determinado momento, após falarem da nova evangelização em João Paulo II e em Bento XVI, comentaram que o Papa Francisco ainda não havia falado dela.
 
Então, eu pensei: talvez ele não tivesse falado ainda, mas com certeza já a vive e realiza desde o primeiro dia de pontificado.
 
De qualquer maneira, já temos agora a proposta que o Papa nos faz sobre a nova evangelização. Francisco, espelho sem igual de humildade, não pretende dizer a última palavra. E deixa isso claro: “Penso, aliás, que não se deve esperar do magistério papal uma palavra definitiva ou completa sobre todas as questões que dizem respeito à Igreja e ao mundo. Não convém que o Papa substitua os episcopados locais no discernimento de todas as problemáticas que sobressaem nos seus territórios. Neste sentido, sinto a necessidade de proceder a uma salutar ‘descentralização’” (n. 16).
 
O principal elemento desta exortação – e, portanto, da nova evangelização – nos é exposto já no título: a alegria do Evangelho, que é a alegria do evangelizador, a alegria da Igreja, a alegria do seu testemunho.
 
O Papa diz: “Há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa”. Mas, ao mesmo tempo, ele coloca esta alegria à prova, no contraste com o sofrimento. Refere-se, em primeiro lugar, ao seu contraste com o sofrimento de todos, porque, como explica, “a alegria não se vive da mesma maneira em todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras. Adapta-se e transforma-se, mas sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados” (n. 6).
 
Mas ele também se refere ao sofrimento dos pobres, com um testemunho pessoal irrefutável e comovente: “Posso dizer que as alegrias mais belas e espontâneas que vi ao longo da minha vida são as alegrias de pessoas muito pobres que têm pouco a que se agarrar” (n. 7).
 
São os pobres, então, que evangelizam os evangelizadores. É que, se um evangelizador não deveria ter permanentemente uma cara de funeral, é porque está chamado a recobrar e aumentar o fervor de evangelizar, ou, como dizia Paulo VI, “a doce e confortante alegria de evangelizar, inclusive quando é preciso semear entre lágrimas”.
 
Assim, como também dizia o Papa Montini, “que o mundo do nosso tempo, que procura, ora na angústia, ora com esperança, possa receber a Boa Nova dos lábios não de evangelizadores tristes e descoroçoados, impacientes ou ansiosos, mas sim de ministros do Evangelho cuja vida irradie fervor, pois foram quem recebeu primeiro em si a alegria de Cristo” (n. 10).
 
Mas não achem que a exortação Evangelii gaudium (A alegria do Evangelho) se resume em um simples convite a evangelizar com alegria. É que precisamente essa alegria é o primeiro sintoma de uma renovação urgente da Igreja.
 
O Papa Francisco está nos trazendo esta renovação desde o primeiro dia do seu pontificado, e isso supõe (basta ver o índice da exortação apostólica) a reforma missionária que parte da conversão, da participação de todos, da opção preferencial pelos pobres, do diálogo com o mundo.
 
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