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Mandela, um homem que lutou pela reconciliação

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AFP/Leon Neal

Aleteia Vaticano - publicado em 06/12/13

“Um homem que tira a liberdade de outro homem é um prisioneiro do ódio, está preso atrás das grades do preconceito e da incapacidade de ver além"

Por Guillermo Siles Paz, OMI

Hoje me vem à memória os momentos que passei na casa de Nelson Mandela, hoje convertida em museu, nos arredores de Johannesburgo, no bairro Soweto. Ali onde aconteceram as revoltas de jovens em 1976. Ingressei e vi com muito interesse os detalhes de sua casa, com dormitório muito simples, sua pequena biblioteca e várias recordações de seus amigos.

Algumas coisas chamam a atenção, como fotografias e quadros, em que se pode entender sua história. Sente-se sua experiência de clandestinidade, a perseguição e o cárcere. Ele foi interpelado pelas injustiças que seus irmãos sul-africanos viviam. Ressalta, em alguns escritos, em seu escritório, esse compromisso por lutar para devolver a seu povo a dignidade e a liberdade.

Mandela queria a unidade do seu povo, mas em harmonia e com igualdade de oportunidades. Muitos pensavam que a África do Sul ia se desintegrar, mas ele tornou possível que se mantivesse unida. Desmond Tutu dizia: “era preciso abrir as feridas para que se curassem bem, pois do contrário nunca acabam de cicatrizar”.

Muitos hoje dizem de Mandela: ele nos deu a liberdade e caminhamos livres e somos respeitados; ele nos ensinou a curar as feridas; hoje todos temos as mesmas oportunidades, ainda que falte muito por fazer, mas estamos aqui trabalhando como ele nos ensinou. Hoje ainda permanecem as cicatrizes do racismo do passado.

Nestes dias escutamos muitas histórias que são sinais de esperança. Mostram-nos a África do Sul sanando feridas e construindo sua realidade com sentimentos positivos. Este símbolo se expande por toda África, mas talvez não se consolide, por haver interesses de todos os tipos.

Mas os feitos e ditos de Mandela permanecerão e inspirarão aqueles que pretendem ser promotores da liberdade e da justiça. Ele disse: “derrubar e destruir é muito fácil. Os heróis são aqueles que constroem e que trabalham pela paz”.

Certamente o que muitas vezes falta aos líderes é aquilo que ele pediu: “se queres fazer as pazes com o seu inimigo, tens de trabalhar com ele, então se tornará seu companheiro”.

A luta e coerência que o conduziu até o fim hoje nos diz: “um homem que tira a liberdade de outro homem é um prisioneiro do ódio, está preso atrás das grades do preconceito e da incapacidade de ver além… Os oprimidos e os opressores são privados de sua humanidade da mesma forma”.

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ÁfricaPecadoPerseguição
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