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Como recuperar a confiança na política e na justiça?

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Um dos problemas é falta de envolvimento dos católicos na vida política, e a incoerência dos que se envolvem naquilo em que dizem acreditar

Levar a doutrina social da Igreja à prática e realmente melhorar a sociedade com ela requer propostas concretas: políticas públicas e leis bem definidas, um movimento social dinâmico: quem afirma isso é Josep Miró i Ardèvol, um dos propulsores do movimento social cristão de libertação, que está se formando na Espanha.
 
Para este consultor do Conselho Pontifício para os Leigos com uma longa trajetória política em seu passado, perder a confiança na política, na justiça e nas estruturas sociais favoráveis à pessoa é autodestruir-se, e contra isso é preciso organizar-se e agir, com compromisso e coerência.
 
Como se pode levar a doutrina social da igreja à prática?
 
Em primeiro lugar, com propostas concretas, não só com princípios. Isso significa políticas públicas bem definidas, bases de leis bem definidas e, a partir disso, gerar um movimento na sociedade, daqueles que se sentem mais interessados, mais afetados.
 
Quando se dá uma resposta, ela vai muito além do fato estritamente cristão. É preciso julgá-lo em função da bondade do que se propõe. A metodologia não é diferente de outra.
 
Muitas pessoas, inclusive católicas, já não acreditam mais na política, na justiça. Como recuperar esta confiança?
 
Agindo. Se a pessoa não confia nisso, ela está se autodestruindo. É como dizer que não confiamos mais na medicina porque alguns médicos não nos curaram; o que precisamos fazer é mudar de médico, mas não dizer que a medicina não é boa. Isso acontece também na política.
 
O problema nasce precisamente da falta de envolvimento dos católicos na vida política, e da incoerência dos que se envolvem naquilo em que dizem acreditar. Existe um problema de pecado de omissão e falta de coerência.
 
Quais são as estruturas de pecado que precisamos combater hoje?
 
Como definição geral, todas as que impedem a realização da pessoa como tal. São muitas: o mundo econômico está repleto de estruturas de pecado. Não podemos entendê-las em sua totalidade, talvez sejam aspectos parciais, mas é evidente que as empresas que não retribuem em justiça aos trabalhadores, que não facilitam sua participação na atividade econômica, estão gerando estruturas de pecado.
 
A ganância e a justificação de tudo por causa dela, o próprio funcionamento das instituições políticas quando envolvem frustração e engano… geram estruturas de pecado.
 
Também há outras estruturas de pecado que o são intrinsecamente, em sua própria natureza: a dimensão da prostituição e do tráfico de mulheres, por exemplo, é uma estrutura de pecado intrinsecamente perversa. Há, então, dois tipos: as que são per se e, portanto, exigem sua irradicação, e as que não o são por natureza, mas têm aspectos prejudiciais.
 
O funcionamento do sistema financeiro é uma necessidade econômica, mas, em função dos critérios com os quais se realiza sua atividade, gera pecados extraordinários.
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