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De Reagan a Ratzinger: um diagnóstico das raízes do sub-humanismo

Michael Salisbury

Aleteia Vaticano - publicado em 12/12/13

O ex-presidente norte-americano e o papa emérito sabiam que a liberdade mal entendida leva os homens ao ódio contra si mesmos e à cultura da morte.

Por Jason Jones e John Zmirak

Apenas dois anos após assumir o cargo, um presidente norte-americano, polêmico em seu tempo e hoje bem avaliado, falou abertamente sobre o inexorável rastejar do sub-humanismo, embora não tenha usado esse termo. Poucos fiéis seguidores do seu partido político, que ainda venera a sua imagem, se lembram do que Ronald Reagan escreveu em 1983:

"O aborto não afeta apenas a criança que ainda não nasceu. Ele afeta cada um de nós. O poeta inglês John Donne escreveu: ‘…a morte de qualquer homem me diminui, porque eu faço parte da humanidade; nunca, pois, procures saber por quem os sinos dobram; eles dobram por ti’.

Não podemos diminuir o valor de uma categoria da vida humana, a dos ainda não nascidos, sem com isso diminuir o valor de toda a vida humana. Já vimos uma prova trágica desse truísmo no ano passado, quando os tribunais do Estado de Indiana permitiram a morte por inanição do bebê Jane Doe, em Bloomington, porque a criança tinha síndrome de Down.

A verdadeira questão não é a de quando começa a vida humana, mas a de qual é o valor da vida humana. O abortista que reagrupa os braços e pernas de um bebê para ter certeza de que todos os seus pedaços foram retirados de dentro do corpo da mãe dificilmente duvida de que aquele era um ser humano. A verdadeira questão, para ele e para todos nós, é saber se aquela pequena vida humana tem ou não tem o direito, recebido de Deus, de ser protegido pela lei; o mesmo direito que nós temos”.

Como é que um direito tão fundamental poderia ser simplesmente deixado de lado? Sendo “brutalmente cândidos”, podemos afirmar que um “esquecimento” desse tipo foi intencional e consciente, um exemplo de empatia que desaba diante de desejos egoístas embrulhados em slogans utópicos: com o aumento da contracepção e a aparente derrota das doenças venéreas pelos antibióticos, o homem moderno (escolhemos o termo deliberadamente) teve o vislumbre daquela terra prometida de liberdade sexual, que vinha seduzindo a imaginação dos libertinos ao longo de toda a história humana: o sexo poderia finalmente se livrar das amarras biológicas e ser usado como pura fonte de prazer. Divorciado de quaisquer compromissos mais duradouros que o desejo fugaz, aliviado do peso da reprodução, sem o lastro da culpa e da vergonha, o assim rotulado "amor livre" poderia servir à causa do progresso, dissolvendo os laços sociais indesejados e a herança estrutural social que a Nova Esquerda enxergava como repressiva: o núcleo familiar, a Igreja e os códigos “burgueses” de comportamento.

Na década de 1960, havia, de fato, relativamente poucos estudantes ativistas que fossem versados de verdade em Marx e Engels, ou interessados não apenas superficialmente em melhorar a sorte dos "proletários". A Nova Esquerda canalizou a rebelião juvenil contra as barreiras impostas ao prazer. A paz e a prosperidade, conquistadas a duras penas pela geração da Segunda Guerra Mundial, que teve de raspá-las dos escombros e dos túmulos de mais de 60 milhões de mortos, pareciam, para a próspera juventude ocidental, coisa banal, inerente à normalidade da vida. Pouca gente, além dos reacionários e dos eclesiásticos, pensou em lançar o alerta de que a ordem social se revelaria muito frágil na hora em que os ácidos do desejo adolescente carcomessem os seus alicerces.

Como quer que fosse, haveria uma pedra no meio do caminho: o fato inconveniente de que os seres humanos são mamíferos e perpetuam a espécie através da relação sexual. E o sistema reprodutivo humano é astuto: com o passar do tempo, ele vai derrotando a maioria dos métodos de contracepção (se a margem de falha é de "apenas" 10 por cento e você brincar com ela durante dez anos… bom, até mesmo um americano é capaz de completar esse tipo de cálculo). O resultado é que o aumento do controle de natalidade veio acompanhado de uma explosão de casos de gravidez não desejada: o aumento da promiscuidade ultrapassou até mesmo os progressos das técnicas de contracepção. Em meados da década de 1960, a barreira para a liberação sexual não eram mais os padres e os puritanos, nem o medo da desgraça social, mas uma safra constante de clamorosos bebês indesejados. O movimento progressivo para livrar o homem de qualquer obstáculo para os seus desejos se viu então confrontado de repente com um obstáculo puramente humano: a reverência que as mulheres grávidas sentiam pelos próprios filhos ainda não nascidos.

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