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Violência na República Centro-Africana faz milhares de refugiados

Central African Republic mired in violence amid threat of genocide UN/Albert Gonzalez Farran – pt

Central African Republic mired in violence amid threat of genocide UN/Albert Gonzalez Farran

ACNUR - publicado em 20/12/13

Mais de 710 mil pessoas já deixaram suas casas desde o início da crise atual, há um ano. Outros 75 mil buscaram refúgio nos países da região

A equipe da Agência da ONU para Refugiados na República Centro-Africana acredita que cerca de 210 mil pessoas foram obrigadas a deslocar-se nas últimas duas semanas por causa da violência em Bangui, capital do país.

“Nossa equipe tem relatado tiroteios e um clima de medo generalizado na cidade”, disse o representante do ACNUR. Ele acrescentou que na última segunda-feira, na periferia da cidade, “nos deparamos com cerca de 40 mil pessoas que saíram de suas casas nos dias 5 e 6 de dezembro e até agora não puderam voltar devido aos conflitos”.

Para escapar dos combates e da insegurança, no último fim de semana, centenas de pessoas fugiram de barco pelo rio Oubangui, em Zongo, na República Democrática do Congo, apesar de a fronteira estar oficialmente fechada e de correrem o risco de serem alvejados nos tiroteios. Pela contagem oficial, 1.815 pessoas chegaram a Zongo, aumentando para 3.292 o total de refugiados da República Centro-Africana que chegou de barco desde 5 de dezembro.

Muitos dos recém-chegado relataram ter testemunhado atrocidades, incluindo assassinatos, roubos, invasão de casas. Eles disseram ao ACNUR que algumas pessoas acampadas no aeroporto de Bangui também planejavam atravessar para Zongo. “No aeroporto de Bangui, tivemos de suspender temporariamente a distribuição de ajuda por causa dos incidentes de segurança, que estão relacionados com a violência sectária”, disse o representante do ACNUR no país.

Mais violência foi reportada na cidade de Bossangoa, cerca de 400 quilômetros a noroeste de Bangui. Oficiais de segurança das Nações Unidas informaram que durante o fim de semana as milícias roubaram lojas e queimaram casas na parte norte da cidade, área de ampla maioria muçulmana.

Cerca de 5.600 pessoas já foram deslocadas pelos novos embates entre as forças de defesa Anti-Balaka e os rebeldes do grupo Seleka. Os novos deslocados estão se juntando aos outros 4 mil abrigados na já lotada Escola Liberté.

“Ouvimos relatos sobre ataques a cristãos pelos Seleka, com saques, assassinato e casas incendiadas. Além da escola, desde setembro 40 mil pessoas estão abrigadas na igreja católica Bossangoa”, disse o porta-voz do ACNUR.

Há relatos de tensões entre membros da força de paz africana e grupos rebeldes, que estão resistindo ao desarmamento. Os militantes se recusam a entregar armas, como ferramentas de agricultura e facões.

O ACNUR está extremamente preocupado com a presença de homens armados nos locais de abrigo. A agência tem pedido para que as tropas francesas e africanas intensifiquem as patrulhas nos bairros mais problemáticos.

As tensões também permanecem em Paoua, a 130 km de Bossangoa, nas imediações de Beboura, onde centenas de civis tem se abrigado no mato.

Mais de 710 mil pessoas já deixaram suas casas desde o início da crise atual, há um ano. Outros 75 mil buscaram refúgio nos países da região.

(ACNUR)

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