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A odisseia das adoções no Congo: o governo de Kinshasa não vem cumprindo as suas promessas

Aleteia Vaticano - publicado em 03/01/14

24 casais italianos estão impedidos de deixar a capital do país africano, dilacerado pela guerra civil.

Por Gelsomino Del Guercio

Os confrontos do último dia 29 de dezembro entre rebeldes e forças do governo em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, aumentaram a grave situação das 24 famílias italianas que estão bloqueadas há mais de um mês no país africano, com seus filhos adotivos, devido à interrupção que o governo congolês impôs aos processos internacionais de adoção.

O governo da Itália afirmou que está trabalhando para resolver a questão o mais rápido possível e declarou que o próprio Congo teria se comprometido a acelerar o reexame das adoções que já estão com os trâmites avançados. Em 27 de dezembro, os pais adotivos italianos tiveram um encontro com a delegação especial que viajou da Itália até o Congo para tentar resolver a situação, mas as notícias não foram positivas (Rádio Vaticano, 30 de dezembro).

A embaixada italiana em Kinshasa está em constante contato com as famílias impedidas de deixar o Congo. Por telefone, o casal André Minocchi e Michela Gentile, que esperam adotar uma criança de 2 anos, relataram a parentes na Itália que o governo congolês interrompeu as adoções “pelo menos até setembro ou outubro de 2014”. E suplicaram: “Façam alguma coisa, nos ajudem a voltar para casa com as crianças!”. Outro casal bloqueado na República Democrática do Congo, Enrico e Chiara, fez um apelo desesperado às autoridades italianas através de um e-mail enviado à agência de notícias Ansa: "Por favor, nos ajudem a pressionar o ministério [italiano de Assuntos Exteriores] para agilizar a nossa volta para casa" (Avvenire, 30 de dezembro).

O primeiro-ministro da República Democrática do Congo confirmou a suspensão temporária das adoções internacionais e a necessidade de reexaminar os processos em andamento, devido a irregularidades identificadas em procedimentos anteriores. Em vista do grande interesse das famílias e do governo italiano por uma solução rápida e positiva para o caso, o primeiro-ministro congolês reafirmou o compromisso de acelerar os trâmites e determinou que os casos italianos sejam os primeiros a ser reavaliados (Vita.it, 30 de dezembro).

A odisseia das famílias italianas começou em setembro, quando as autoridades congolesas decidiram suspender as autorizações para a liberação das crianças em vias de adoção. A Associação italiana dos Amigos das Crianças (Aibi) foi a primeira a denunciar a situação, relatando que, para retornar à Itália, os casais italianos que já tinham concluído regularmente o processo de adoção de 32 crianças congolesas precisavam apenas de uma última assinatura que as autoridades do país africano se negavam a conceder (AgenSir, 7 de dezembro).

No início de novembro, o ministério italiano da Integração recebeu das autoridades congolesas a garantia de que os processos de adoção por casais italianos seriam concluídos devidamente e em breve. Mas as garantias ficaram no papel. As famílias apelaram também ao papa Francisco, pedindo um "ato humanitário neste Natal". As autoridades do Congo, no entanto, têm se mostrado reticentes diante de todas as solicitações externas (Vatican Insider, 8 de dezembro).

Considerando que os conflitos entre as forças do governo e os rebeldes congoleses recomeçaram mais violentos do que nunca, tem crescido a preocupação com a sorte dos italianos bloqueados em Kinshasa. Na batalha de 29 de dezembro na capital do Congo, foram mortos 40 membros de um grupo rebelde que tinha invadido a sede da televisão estatal e o aeroporto, além do Estado-Maior Geral. Logo após o ataque, unidades especiais da polícia congolesa ergueram cordões de segurança em torno do complexo de televisão e do Parlamento. A situação na capital do país permanece extremamente tensa (L’Osservatore Romano, 30-31 de dezembro).

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