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Casar-se para a vida inteira, a melhor aventura

© Philippe NOISETTE / CIRIC

Celebración de una boda en Savigny (Francia)

SIC - publicado em 06/01/14

A família de Nazaré é uma família possível, não inalcançável, e ainda tem lições para dar-nos nesta época tão difícil para a estabilidade familiar

Na mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado2014 o Papa Francisco nos diz: “Jesus, Maria e José experimentaram o que significa deixar sua terra natal e ser migrantes: ameaçados pela sede de poder de Herodes, foram forçados a fugir e buscar refúgio no Egito. Mas o coração materno de Maria e o coração zeloso de José, protetor da Sagrada Família, sempre mantiveram a confiança de que Deus nunca abandona”.


Deus quis que seu Filho nascesse, crescesse e vivesse assumindo a condição humana. E o jeito típico de fazer isso é em uma família. Esta não é uma maneira cristã somente, mas humana.


Os maiores antropólogos do último século afirmaram que a família é o único e perene modelo humano em toda a história capaz de garantir os elementos essenciais para crescer humanamente, como o sentido de segurança, de pertença e a transmissão dos valores mais significativos da vida.


A Sagrada Família também se insere dramaticamente na árvore da tragédia humana. Jesus assumiu nossas características: uma família, um país de origem, uma língua, uma tradição cultural e religiosa. O Deus onipotente, ao assumir a condição humana em toda a sua verdade, ficou paradoxalmente à mercê também dos poderes deste mundo.


“José, levanta-te, toma contigo o menino e sua mãe e foge.” Milhares de refugiados e migrantes viveram esta situação. Em meio à ameaça terrível a esta humilde família de Nazaré, seus membros permaneceram unidos. Mas quantas famílias se viram obrigadas, com imensa dor, a separar-se para salvar a vida ou para garantir o sustento familiar!


Depois, quando voltam à paz de Nazaré, o Menino cresce em idade, sabedoria e graça, assim como toda criança que nasce está chamada a crescer. Mas, para isso, é preciso um ambiente como o criado por Maria em José em seu lar: de enraizamento afetivo, estabilidade profunda, um pai e uma mãe. Porque se requer tempo para estabelecer essas relações profundas que fazem parte da constituição da nossa personalidade.


Jesus encontrou em Maria e José simples e seguros modelos de referência, como se diz atualmente; deles recebeu uma educação ligada à modesta cultura daquela época, mas uma educação essencial, que se manifestaria, já na idade adulta, na doçura, bondade e ternura com que Ele tratava seu próximo.


A família de Nazaré ainda tem muitas lições para oferecer-nos, em pleno século 21, época tão difícil para a estabilidade familiar. Apesar das boas intenções, com o passar do tempo, a chama do amor pode começar a apagar, a presença do outro pode começar a incomodar, e se questiona a escolha feita.


Isso sem falar nas uniões de fato, que, às vezes, não duram mais que a lua de mel. É que muitas das pessoas da geração emergente reduzem o amor a um sentimento, a uma paixão, à “química sexual”; parecem estar convencidas de que o amor não pode ser para sempre, de que ele não exige sacrifício e renúncia; as relações se centram em “o que eu sinto por você hoje”, sem verdadeira união.


Conhecemos a fraqueza humana, mas é belíssimo o conselho de Paulo: “Deixai-vos sustentar por Cristo”.


A família de Nazaré é uma família possível, não inalcançável. Não podemos nos deixar levar pelo pessimismo reinante. Há também muitas experiências que testemunham que o matrimônio é a melhor aventura que existe. E, para isso, contamos com a ajuda de Jesus e do seu Espírito.


Mas voltemos ao início: não nos esqueçamos de que, ainda que se encubra de legalidade ou legitimação social, continua havendo Herodes dispostos a acabar com a vida nascente ou não nascida. E não nos esqueçamos de que numerosas famílias vivem na pele o drama lacerante da emigração forçada, para salvar a vida ou para buscar uma possibilidade de futuro.

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