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Não existe um só homem que não tenha sede de Deus

The man in front of infinity – pt

© djgis/SHUTTERSTOCK

Aleteia Vaticano - publicado em 07/01/14

A fé não busca preencher os vazios que a filosofia e a ciência deixam sem resposta, porque ela é muito maior que isso

Quando o ser humano deu seus primeiros passos, quando usou a razão e a consciência, e especialmente quando possuiu a capacidade de articular a ideia de Deus, ainda que de forma imprecisa, atravessou o Rubicão da humanização.

Aquelas nascentes palavras balbuciadas sobre o divino permitiram entrever o íntimo sentido religioso da pessoa, aquele “desejo de Deus que está inscrito no coração do homem”, o anseio mais profundo do seu ser.

A sede de Deus, de infinito, ajudou o ser humano a superar a escuridão, percebendo um rastro que o remete ao transcendente. A partir disso, ele tentou delinear, plasmar esta sede construído templos, criando símbolos sacros, elevando orações, compondo lendários relatos sagrados.

Os profundos interrogantes conduziram a pessoa à exploração do seu interior, com o olhar da alma. Esta capacidade de refletir sobre realidades acima do concreto e cotidiano lhe revelaram uma vocação sobrenatural que o ajuda a responder a uma plenitude de vida que vai além das dimensões da sua existência terrena, já que consiste na participação na própria vida de Deus.

A sede de infinito leva o homem a ir além das sábias reflexões, buscando mitigar a experiência de fugacidade existencial. Deus poderia nos mostrar a razão da nossa existência, tão magnífica e dolorosa ao mesmo tempo… Mas isso precisa ser indagado com os olhos da razão e da , respondendo à sua dimensão teologal.

O homem é limitado porque lhe falta algo; ele experimenta o vazio da contingência que nada na Terra pode serenar plenamente. Incomoda-o a impossibilidade de realizar e desenvolver tudo o que gostaria – também a relação com Deus.

A sede de Deus tem como correlato o anseio de encontro, que conduz o homem à busca da felicidade, que dá sentido à sua existência. Na história, é Deus quem vai ao encontro da pessoa. Ele fala na natureza, mas particularmente no diálogo com o povo escolhido, relatado na Sagrada Escritura.

Foi Deus quem superou a distância que separa o ser humano das alturas celestiais: um Deus onipotente que se encarna, que busca o ser humano, fazendo-se Homem. No mistério da Encarnação, o Senhor Jesus assume a humanidade, mostrando ao homem o caminho para ser verdadeiramente homem, ao mesmo tempo em que o redime.

Conhecemos as dificuldades para nos aproximarmos do ideal indicado por Jesus. É comum que o homem construa “barreiras de pecado”, que o impedem de perceber sua sede de comunhão. O pecado é um impedimento para entender o anseio interior corretamente.

Quem aprende a conhecer Jesus com a , tanto na mente quanto no coração e na ação, descobre a visão de Deus nas coisas. Abre-se a uma dimensão na qual reina o amor sublime, amor que alegra o espírito. “No entardecer da vida, examinar-te-ão no amor. Aprende a amar a Deus como Deus quer ser amado”, convidava São João da Cruz.

O que Jesus Cristo oferece com sua vida e seu sacrifício é precisamente a chave para “decodificar” o caminho preciso rumo à plena realização e salvação, para sustentar o encontro pleno com Deus.

O Senhor é a meta da nossa busca.

(Artigo de Alfredo Garland, publicado originalmente pelo Centro de Estudos Católicos)

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