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Os efeitos da legalização da maconha no Uruguai

Marijuana Smoker 001 – pt

Jonathan Piccolo

Alver Metalli - publicado em 10/01/14

Um mês depois da liberalização, o verão uruguaio está cheirando a cannabis

Maconha livre num Estado livre: o Uruguai chegou na frente, na América do Sul e no mundo, mas já se notam os buracos que esse pioneirismo está cavando na vida cotidiana. Apenas um mês depois da aprovação da lei que libera a produção, o comércio e o consumo da célebre planta, as praias de Punta del Este já cheiram a cannabis.

Dia após dia, os turistas argentinos e brasileiros que costumeiramente invadem a renomada estância turística também reforçam as visitas às farmácias, para descobrir “se já podemos comprar”. Nem precisa dizer o quê: a maconha poderá ser vendida em doses determinadas pela lei que a maioria no senado uruguaio aprovou em 10 de dezembro.

Mas a resposta dos farmacêuticos, por enquanto, é um "não" condicionado por dois fatos: primeiro, porque ainda não transcorreram os 120 dias previstos para a promulgação e entrada em vigor da lei; segundo, porque a maconha não será vendida a estrangeiros que não sejam residentes no país e que não tenham se cadastrado legalmente para produzir, comercializar e consumir a planta. Dois fatos, de qualquer modo, que todo mundo sabe que vão cair com a simples passagem do tempo.

O caso é que locais e turistas têm que esperar até o começo de abril para comprar os seus 40g de maconha por mês ou para cultivar até seis plantas por família, limitando-se a colheita anual a um máximo de 480g. Mas a curiosidade entre os turistas do primeiro verão da maconha livre é muita e as respostas dos profissionais da saúde e dos policiais ainda são genéricas, por falta de diretrizes específicas vindas de cima.

As opiniões dos uruguaios, enquanto isso (66% contra a liberalização, 24% a favor e 10% indecisos, conforme a última pesquisa feita antes da aprovação), se misturam com as primeiras queixas daqueles que, nos terraços dos hotéis, nas areias da Praia Mansa e da Praia Brava e na porta de bares e shoppings, protestam contra o cheiro inconfundível de maconha que se espalha solto pelo ar.

Mesmo os futuros produtores se preparam para o que tem toda a aparência de um novo grande negócio, como a exportação de gado dos pampas argentinos. O primeiro passo, a associação, acaba de ser dado: já nasceu a Federación Nacional de Cannabicultores del Uruguay, que elegeu seus próprios líderes para futuras reivindicações de mais liberdade.

As perspectivas dão o que falar, particularmente se for verdade, como revela o jornal El Observador, de Montevidéu, que empresários canadenses já entraram em contato com organizações sociais e políticas uruguaias para comprar quantidades de cannabis para fins medicinais e para uso em pesquisas e em laboratório. Até a Junta Nacional de Drogas, órgão criado para fiscalizar e regulamentar a nova matéria, já recebeu pedidos de Israel e do Chile, que pretendem comprar quantidades exportáveis de maconha.

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