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Ocitocina: a molécula do amor?

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Mirko Testa - Aleteia Vaticano - publicado em 17/01/14

Os primeiros estudos empíricos apontam que esse hormônio age com base em predisposição genética

Ela é tida como um remédio seguro para a ansiedade e para a timidez. Muitas vezes chamada de "hormônio do amor" ou do bom humor, ela seria também a responsável pela memória, capaz de reforçar as lembranças da infância ligadas ao relacionamento com a mãe. Levando-se em conta o que se lê e o que se ouve a respeito dela, poderia parecer até uma panaceia social. Estamos falando da ocitocina.

A ocitocina é um hormônio poderoso, ou, mais precisamente, um peptídeo, descoberto em 1906 por Sir Henry Hallet Dale. Nos mamíferos, ela permite ao cérebro estender o cuidado de si próprio aos filhos e a um círculo mais amplo das relações de assistência. É associada à confiança, principalmente em função do seu papel de aumentar a tolerância aos outros e diminuir o medo e as reações de fuga. É por isso que, de acordo com alguns pesquisadores liderados por Paul Zak, a pequena molécula poderia conter uma forte “cola social”. Uma molécula capaz de induzir maior confiança nos outros, um senso mais desenvolvido da cooperação, do altruísmo; em poucas palavras, a chave para uma sociedade melhor e mais justa, como tinha sugerido, já em 2005, um famoso artigo da revista Nature.

Mas a verdade parece mais complexa. Para saber mais, conversamos com o professor Antonio G. Spagnolo, diretor do Instituto de Bioética da Universidade Católica do Sagrado Coração, de Roma.

O que se sabe de fato sobre a ocitocina?

Antonio G. Spagnolo responde:

A ocitocina é um fármaco que foi identificado por outras razões, por razões diferentes dessas que estamos comentando. Como dizem no jargão, é uma descoberta "não prevista". O que temos notado é o seguinte: que o uso da ocitocina, especialmente por via nasal, melhoraria a relação com as pessoas, melhoraria o tom, aumentaria a confiança nas pessoas, o altruísmo, etc. E foram feitos experimentos para testar o quanto isso era verdade, ou seja, se a impressão inicial, sobre amor, confiança, etc., era uma coisa verificável. A literatura contém muitos experimentos mentais bem conhecidos, muitos jogos, digamos assim, para verificar como as pessoas se comportam ao escolher quem matar, ou ao dividir uma quantia de dinheiro.

Mas há outros aspectos: um artigo que eu li na revista Frontiers in Human Neuroscience, por exemplo, diz que há dois lados dessa moeda, e que nem sempre podemos definir a ocitocina como uma molécula do amor. Em que sentido? Nesses jogos mentais, nesses experimentos, quando a pessoa destinatária das escolhas de alguém fazia parte do seu grupo, da sua família, do seu âmbito, verificava-se uma predisposição melhor, um maior altruísmo, um aumento da ligação, etc. Ou seja, os resultados refletiam aquilo que se pressupunha. Mas quando o destinatário da escolha da pessoa era de fora do grupo dela, da sua etnia, da sua família, aí as coisas se invertiam: havia uma rejeição maior, havia mais desconfiança, o efeito era diferente, quase o contrário.

Este aspecto tem que ser avaliado com base em quem está diante da pessoa. Outro elemento que atenua o efeito da molécula está ligado a um aspecto genético: foi verificado que um determinado perfil genético das pessoas que tomam a ocitocina era de alguma forma o verdadeiro "responsável" por esse benefício. Por isso, nós temos que dizer que a ocitocina realmente funciona com um determinado tipo genético, mas não funciona com outro. Esses dados empíricos indicam que é simplista demais estabelecer esse tipo de conexão entre a ocitocina e certos comportamentos morais, sem fazer maiores especificações.

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