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O escândalo da desigualdade

© ISSOUF SANOGO / AFP
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Metade da riqueza mundial está concentrada nas mãos de 1% da população

Foram divulgados recentemente alguns dados do relatório da ONG Oxfam Intermon segundo os quais quase a metade da riqueza mundial está nas mãos de apenas 1% da população, e a metade mais pobre da população mundial possui a mesma riqueza das 85 pessoas mais ricas do mundo.
 
Somente nos EUA, o 1% mais rico acumulou 95% do crescimento total posterior à crise de 2009, enquanto 90% da população mais pobre empobreceu ainda mais. O que aconteceria se essas poucas pessoas ricas compartilhassem sua riqueza acumulada – essa que jamais lhes dará nem a segurança absoluta na vida, nem muito menos a felicidade? O drama de milhões de pessoas pobres desapareceria.
 
Muito além da responsabilidade moral pessoal dos acumuladores de riqueza, o sistema (que não só permite, senão que favorece esta situação) é perverso. Não podemos chamá-lo de sistema liberal, porque só uns poucos gozam de liberdade (e muitas vezes a usam para oprimir); nem de sistema econômico, porque a economia significa distribuição harmônica de recursos.
 
Tampouco podemos chamá-lo de sistema social e político, porque a sociedade e a “polis” parecem não valer nada e não servir para nada; nem de sistema democrático, porque uma minoria exígua acumula o poder e o ter de milhões de seres humanos; e nem de sistema humano, porque a dignidade humana, para este sistema, é apenas um alvo de chacota.
 
O Papa Francisco disse que este sistema que chamamos de “economia de mercado” responde à dupla cultura do descarte e do desperdício. Do descarte porque é a cultura de um tipo de exclusão extrema, pela qual os empobrecidos não é que estejam sob os outros, nas periferias ou sem poder, mas porque simplesmente ficam fora da sociedade.
 
E o desperdício porque há pessoas empenhadas a convencer-nos de que este sistema promove a equidade, quando a única coisa que ele realmente promove é a globalização da indiferença.
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