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Religião

Vale tudo para trazer as pessoas à paróquia?

Marcel Jancovic

Juan Ávila Estrada - publicado em 28/01/14

O perigo é que, ao invés de evangelizar o mundo, podemos acabar mundanizando o Evangelho

Por que às vezes somos tão “folclóricos” na hora de anunciar o Evangelho ou querer construir vida de Igreja? Talvez por medo de que, ao anunciar a Palavra de Deus, ela assuste tanto, que acabemos espantando ao invés de atrair as pessoas.


A metodologia utilizada, os novos recursos, a nova pedagogia, quando não são bem compreendidos, podem apagar a força e beleza do anúncio salvador. Por isso, quando pensamos em atividades eclesiais que incentivem a vida comunitária e de fé, podemos correr o risco de achar que o meio vale mais que o fim e que tudo é válido com tal de anunciar Jesus.


A pregação da verdade do Evangelho continua sendo necessária para o encontro com a Palavra do Senhor ressuscitado. Ainda que os recursos humanos sejam válidos, nem tudo é adequado na tentativa de levar o anúncio a todos. O perigo é que, ao invés de evangelizar o mundo, podemos acabar mundanizando o Evangelho.


Quando penso em um grupo ou movimento juvenil, sempre reconheço a ingenuidade que pode haver na hora de fazer coisas e inovar; em meio à euforia, tende-se a apagar a beleza de Jesus e ficar unicamente com a beleza dos atos realizados.


Quantos dos nossos jovens, membros desses grupos juvenis paroquiais, se confessam frequentemente, participam e recebem a Eucaristia? Quantos dos que já participaram desses grupos hoje são casados pela Igreja? Se a porcentagem é pequena, então precisamos nos perguntar se agimos da maneira certa. Porque os grupos paroquiais não existem somente para formar pessoas solidárias, e sim pessoas cristãs – e isso vai muito além de ser solidário.


Cada uma destas atividades que chamamos de “evangelizadoras” devem ter como centro a pessoa de Jesus. Não podemos ser ingênuos achando que tudo o que se faz na paróquia, por ser paroquial, leva a Jesus Cristo.


Não podemos ter medo de pregar, ensinar, transmitir a fé, apresentar a Palavra de Deus, que costuma ser uma “faca de dois gumes”, e é por isso que precisamos ser claros desde o começo. Não somos assistentes sociais nem simples filantropos, mas apóstolos do Evangelho; amamos em nome do Senhor e construímos a pessoa em todas as suas dimensões.


Quando uma pessoa se aproxima das nossas comunidades, ela precisa conhecer claramente esta proposta de vida nova, saber o que lhe é oferecido. Não podemos ter medo de orar, pensando que as pessoas acharão chato; nem deixar de ler a Palavra de Deus, pensando que não voltarão; nem deixar de convidá-las à vida sacramental, argumentando que isso deve ficar para depois.


O que oferecemos na Igreja é Jesus Cristo, o Senhor. Ele é o tesouro que compartilhamos; sua salvação é a proposta para os que querem acolhê-la, mas também uma nova forma de viver, de ver o mundo, de interpretá-lo e de viver a vida.


Não me oponho às atividades paroquiais, mas precisamos revisar se as estamos realizando de tal maneira que as pessoas se encontrem com Cristo por meio delas, ou que pelo menos saiam com paz no coração.


Divertir-nos, fazer amigos, tudo isso é fundamental na vida da Igreja, porque não vivemos uma vida chata e entediante. Mas quem nos vê deve reconhecer que nossa alegria é muito mais que a alegria do mundo, e que nossa fraternidade em nome próprio, que ela é fruto da nossa relação com Deus.


A vida da Igreja é construída sobre o alicerce da Palavra. É claro que as atividades de lazer, amizade e solidariedade são importantes e necessárias, mas a fé vai muito além de tudo isso e, por isso, não podemos ficar só nas atividades em si.


Cada dia, somos desafiados por Cristo a ter coragem, vencer o medo, mostrar com clareza a mensagem do Evangelho, mesmo correndo o risco de que muitos vão embora. Jesus nunca mudou a verdade do Evangelho para agradar os seus seguidores. Quando Ele precisava dizer as coisas, ele as dizia; e quando muitos se afastaram dele, Ele perguntou aos outros se também queriam ir embora. Ele preferiu correr o risco de ficar sozinho ao invés de fazer os ensinamentos do seu Pai perderem a força.


Nós somos o sal da terra. Estamos chamados a transformar o mundo, e não a deixar que o mundo nos transforme.

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