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Divulgação dos arquivos secretos de Pio XII: “a espera será breve”

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O relator da causa de beatificação do papa Eugenio Pacelli, pe. Peter Gumpel, fala dos seus vinte anos de trabalho em meios aos papéis de um pontificado convulso

Há trinta anos, de qualquer modo, o senhor já trabalhou com essas caixas.

Gumpel: Sim. Logo depois da minha nomeação como relator, eu combinei com os poucos arquivistas da época, com quem eu tinha relações muito cordiais, até porque eles sabiam que tinha sido o papa quem tinha me dado essa ordem, para que eles me enviassem uma cópia dos documentos que eles achassem que poderiam me interessar. Eles fizeram isso regularmente, e, à medida que o trabalho avançava, aos poucos, eu pude trabalhar na posição que apresentamos em 2004. Não tivemos pressa. Em alguns casos, as postulações avançaram com pressa, mas eu sou um historiador profissional: é necessário examinar cada questão para ter certeza científica. Nesse arquivo não há nada que eu não tenha visto. O postulador, o professor Molinari, e eu, examinamos cada coisa até o fundo, para apresentá-las à congregação e submetê-las a três discussões: primeiro, a dos historiadores; depois, a dos teólogos; finalmente, a dos cardeais e bispos da congregação. Tivemos treze avaliadores que foram unânimes ao dar um parecer extremamente positivo e aconselharam o então pontífice, agora emérito, Bento XVI, a fazer imediatamente a declaração das virtudes heroicas do papa Pacelli. Bento XVI, para quem eu tinha trabalhado bastante quando ele era prefeito da Congregação do Santo Ofício, quis considerar pessoalmente as coisas, porque há várias objeções à causa de beatificação.

De parte de quem, em particular?

Gumpel: Elas vêm principalmente de três fontes. Primeiro, dos comunistas, que fizeram uma grande propaganda, cheia de informações falsas, contra Pio XII; em particular, os russos soviéticos, mas também os comunistas italianos, embora em menor medida. A segunda fonte é a maçonaria, que, em grande parte, sempre foi muito anticatólica. Há também grupos maçônicos humanitários, mas os verdadeiros maçons, ingleses e franceses, se dizem livres pensadores e são contra qualquer religião. A terceira fonte, e isso é doloroso para mim, são alguns grupos de judeus. Mas quando se fala de grandes grupos de pessoas de uma nação, de uma religião etc., é preciso distinguir sempre. Eu recebi a visita de oitocentos rabinos, extremamente fiéis à lei de Moisés, que me disseram: "Nós não temos nada a ver com esses ataques contra Pio XII. Sabemos que ele salvou milhares e milhares de pessoas. Estamos muito agradecidos". Mas há judeus, em muitos casos ateus, que fizeram uma campanha para afirmar que o papa não tinha feito nada, indo contra as afirmações de muitos judeus de primeira grandeza. Para citar apenas um exemplo: Martin Gilbert, que é considerado o maior especialista no Holocausto, é 100% a favor de Pio XII.

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