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Jogando no ataque

AFP PHOTO / OSSERVATORE ROMANO/HO

CITE DU VATICAN, Vatican City : This handout picture released on November 22, 2013 by the Vatican press office shows Pope Francis (C) speaking with FIFA president Sepp Blatter (L) as he receives a football jersey with his name during a private audience at the Vatican. AFP PHOTO / OSSERVATORE ROMANO/HO

Jorge Milia - publicado em 29/01/14

O papa usa uma linguagem popular rica em metáforas, que inclui a paixão pelo futebol

O futebol é uma "paixão das multidões". A Argentina e o futebol, por exemplo, são uma coisa só. Quem acompanha o futebol naquelas terras, em geral, é completamente fanático: se apaixona por um time, entrega a ele o coração, se torna um “fanático” para sempre. É raro que um torcedor traia a paixão original, a menos que a vida o empurre para um país distante, ou, coisa que já aconteceu mais de uma vez, a falência extermine o time do coração. Para a maioria dos torcedores, porém, a fórmula do casamento, "até que a morte nos separe", é mais válida do que nunca.

A fé dos torcedores nasce, em muitos casos, no seio da família. Há núcleos familiares em que jamais se sonharia que um dos filhos flertasse com outro time; e, nos casos em que as torcidas são diferentes, acaba-se aceitando a diversidade, mas ao preço de provocações eternas. A escola é outro cenário em que se desenha e cristaliza a torcida por um time. Seja qual for a origem histórica da paixão, o vínculo com o time do coração costuma permanecer inalterado ao longo do tempo. Mais: ele aumenta com o tempo. Continua-se sofrendo cada derrota e exulta-se em cada vitória tanto aos vinte anos quanto aos trinta ou quarenta, numa espécie de eterna juventude.

Sabemos que o papa Francisco não foge a essa "regra" da paixão futebolística. Ele também é torcedor, do San Lorenzo de Almagro, desde sempre. Conhece os seus altos e baixos e, quando pode, não deixa de se informar sobre o andamento do clube. Sabemos que a boa notícia da conquista do último campeonato argentino, em 2013, depois de um longo tempo de jejum, o alegrou. Em sua profunda formação de jesuíta argentino, nada que seja "popular" lhe é estranho: culinária, música, futebol, literatura, poesia. Bem familiarizado com as gírias do futebol, ele as usa com propriedade e não hesita em empregá-las para fins pastorais.

Como na Jornada Mundial da Juventude no Brasil, país em que a torcida futebolística não tem igual no mundo: ele falou aos jovens convidando-os a "jogar no time" de Jesus. E não abandonou as metáforas do futebol até espremê-las bem. "O que um jogador faz quando entra em um time? Ele tem que treinar, e treinar muito! É assim também a nossa vida como discípulos do Senhor". Em seguida, ele cita São Paulo, que lembrava aos cristãos do seu tempo a disciplina esportiva e as qualidades necessárias para praticá-la: "Todo atleta é disciplinado em tudo. Eles o fazem para conquistar uma coroa perecível; já nós, para conquistar uma coroa que dure para sempre".

O próprio troféu, para o papa, vale uma comparação bem conhecida. "Jesus nos oferece um prêmio maior do que a Copa do Mundo! Ele nos oferece a possibilidade de uma vida fecunda, de uma vida feliz, e nos oferece também um futuro com Ele que nunca terá fim, na vida eterna (…) Mas nós temos que ‘estar em forma’ para lidar com todas as situações da vida, sem medo, testemunhando a nossa fé". Temos, enfim, que "suar a camisa", o que não tem a ver somente com o futebol, mas com o trabalho. Quem trabalha, quem "ganha o pão com o suor do rosto", também sua a camisa. E os esportistas que mais a suam, não apenas os jogadores de futebol, são aqueles que correm mais, que jogam mais e que se empenham mais para fazer o time vencer.

A ideia do papa Francisco sempre foi a de uma Igreja peregrina. Ele não a concebe como um conjunto de grupos estáticos: ele os quer em marcha, em movimento; aliás, correndo e "suando a camisa". Eles jogam no time de Deus, eles são os atletas de Deus. A realidade do sacrifício exige algo mais do que a bonita presença no domingo, algo que se pareça mais com o cansaço de um dia de trabalho ou com um jogo decisivo para o triunfo.

Continuando com as metáforas futebolísticas, já o ouvi falar, mais de uma vez, que é preciso "chutar para frente", chutar para o gol; não ficar atrás, com medo, na defensiva; a meta é vencer, marcando gols. Isto significa não se perder em fintas inconclusivas, não ficar atrasando nem “ensaboando” no meio de campo. "Chutar para frente" é uma atitude saudável, que oferece a Deus a oportunidade de nos dar a vitória.

Talvez, em outros tempos, o papa jesuíta usasse expressões mais bélicas, de milícia, de soldados e tropas preparadas para a batalha, mas as imagens futebolísticas alcançam ouvidos que aquelas outras talvez deixassem indiferentes.

Ninguém se engane. O papa Francisco não desvaloriza a palavra. Ele simplesmente a complementa com outras que permitem que a Palavra chegue mais longe, até as periferias que, sem isso, não seriam alcançadas.

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