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É preciso ser pobre para ser católico?

© Sergey Ryzhov

Samuel Gutiérrez - publicado em 31/01/14

Entenda por que todos os católicos são chamados a viver a pobreza e como ela deve ser entendida

“O chamado à pobreza é um chamado a toda a Igreja, da hierarquia até o último batizado. O importante é caminhar, e cada um verá em que ponto se encontra”: quem afirma isso é Joan Planellas, autor de “A Igreja dos pobres no Concílio Vaticano II” (Herder), no seguinte fragmento de uma entrevista publicada no último número do jornal Catalunya Cristiana.

Que novidades o Concílio oferece no tema da pobreza?


O primeiro aspecto se refere ao campo da moral social, no qual a pobreza representa um ponto de inflexão. Dá-se uma ampliação de horizontes em relação às mediações da caridade. A dimensão política da caridade pede ir às causas, e não só aos efeitos. É preciso impedir a globalização da miséria. O Vaticano II inclusive denuncia o escândalo de que as nações mais ricas do mundo sejam majoritariamente de tradição cristã.


Em segundo lugar, o Concílio destaca a categoria social e a dignidade do pobre e dos pobres. Como diz o decreto “Apostolicam actuositatem”, cabe considerar o próximo como a imagem de Deus, segundo a qual foi criado.


E o ponto decisivo e no qual o Vaticano II realmente incide, e que tem mais repercussão, é o da teologia explícita sobre a pobreza. Este tema tem implicações pessoais, institucionais e eclesiais que vão além dos postulados da simples doutrina social da Igreja.


É neste ponto que podemos falar da Igreja dos pobres. Porque temos textos que afirmam que a opção preferencial pelos pobres tem um claro fundamento cristológico e pneumatológico. A Igreja tem de fazer como Cristo fez. O fundamento é Cristo, a imitação de Cristo.


A Igreja supera a visão que reduzia a pobreza a um chamado do cristão individual ou de uma comunidade ou carisma concretos. Ela é uma vocação à qual todo crente é chamado, individual e socialmente. Toda a Igreja está chamada a viver o caminho da pobreza.

Não viver a pobreza é trair a mensagem de Cristo?


A respeito disso, o Concílio fala de “caminho”, porque é muito difícil transformar um chamado como este em lei. Cada um precisa ver por onde ir. O chamado ao seguimento de Cristo sempre nos pede mais. É um chamado a toda a Igreja, da hierarquia até o último batizado. É preciso caminhar, e cada um verá em que ponto está.

Ao longo da história da Igreja, nós nos desviamos deste caminho?


Sim, às vezes nos desviamos. No livro, comento o exemplo de dois grandes reformadores do século XIII: Francisco de Assis e Pere Valdés. Ambos viveram com extrema intensidade a pobreza evangélica.


Mas Valdés e seus seguidores eram extremamente críticos e se opunham ferozmente ao clero católico. Pensavam que seria impossível salvar a Igreja a partir da própria Igreja. No entanto, nos escritos e palavras de São Francisco, não há nenhuma crítica da situação dos homens de Igreja. Francisco estava convencido da força e do poder de Deus, que age nas pessoas e que, apesar de tudo, pode renovar a Igreja por meio da própria Igreja.

Oito séculos depois, outro Francisco afirmou que “desejaria uma Igreja pobre e para os pobres”. Todos acham que esta intuição é uma novidade, mas João XXIII fez uma clara referência a isso.


Sim, foi um mês antes de começar o Concílio, quando ele disse que, diante dos países subdesenvolvidos, a Igreja se apresenta tal como é e quer ser: a Igreja de todos, particularmente a Igreja dos pobres. De fato, o Concílio se desenvolveu a partir de intuições como esta.


Não se trata, então, de ver somente a dimensão social ou moral da pobreza, mas uma Igreja que realmente viva as bem-aventuranças, a simplicidade evangélica. Só uma Igreja assim tornará o Evangelho confiável para o mundo. É por isso que o Papa Francisco sublinhou este aspecto.

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