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A imaginação aplicada ao bem comum

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Javier Ordovás - publicado em 04/02/14

Para combater a desigualdade congênita do sistema atual

Pude ver e escutar o jovem austríaco Christian Felber (professor, bailarino, escritor e empresário) expondo suas propostas para um novo enfoque econômico, chamado Economia do Bem Comum.

Como ele mesmo comenta, na maioria das constituições dos Estados, o bem comum aparece como o objetivo ao qual as ações governamentais devem tender e servir. O bem comum, curiosamente, é um termo cunhado por São Tomás de Aquino.

No entanto, lamenta Felber, os poderosos Estados, que dominam todas as áreas sociais, não conseguem dominar a economia porque não controlam o dinheiro e os lucros que geram e que se concentram em poucas mãos. Dessa maneira, grande parte da economia não está orientada ao bem comum tal como exigem as constituições.

As propostas e explicações do jovem austríaco me lembram os frequentes apelos do Papa Francisco a combater as consequências funestas do capitalismo sem controle, responsável por uma escalada de desigualdade e por que muitas pessoas sejam excluídas do sistema, da sociedade, lançadas à pobreza e expostas finalmente à corrupção, à fraude e à violência.

O Papa Francisco, Christian Felber e um grande número de cidadãos estão clamando por uma nova ordem econômica, um giro radical que mude as regras do jogo que favorecem o afã pelo lucro e a concorrência, a favor da cooperação e a contribuição para o bem comum.

Na Economia do Bem Comum, o lucro financeiro passa a ser secundário, tomando seu lugar o equilíbrio social: as empresas com melhor equilíbrio do bem comum seriam priorizadas sobre as que se apoiam unicamente na concorrência e no lucro. A própria sociedade e os consumidores se encarregariam de apoiar e promover as empresas com enfoque social.

A abordagem, se aceita em sua totalidade, é radical e supõe uma mudança revolucionária, dificilmente digerível pelos acionistas proprietários de empresas que não oferecem trabalho, bem como pelos que recebem salários excessivamente elevados.

Também entre as propostas de Christian Felber se destacam os bens e serviços democráticos que serviriam ao bem comum e seriam controlados pela cidadania soberana e não pelo governo, já que também os organismos públicos nacionais e locais atuam, em muitos casos, contra o bem comum, com sua administração negligente e desperdiçadora.

Certamente, o respeito pelo meio ambiente e outros objetivos sociais, como a redução da jornada de trabalho, fazem parte das suas propostas.

Vale a pena conhecer detalhadamente o modelo de balanço social apresentado em seu próprio site, em seus 20 pontos básicos. Os critérios para a avaliação do balanço social seriam a dignidade dos seus trabalhadores, solidariedade, sustentabilidade, justiça social, participação democrática e transparência.

No pouco tempo que leva a proposta desta Economia do Bem Comum, já encontrou seguidores e empresas que se agrupam para assessorar-se na aplicação destes novos critérios.

Este é um modelo que merece ser elogiado e acompanhado de perto, neste momento em que se precisa de muita imaginação para sair do círculo vicioso de desigualdade social no qual estamos mergulhados.

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