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O preso e as pizzas

Eddie Welker

Kathy Schiffer - publicado em 04/02/14

Em 6 de maio de 2007, Philip Workman pôde escolher sua última refeição, antes da execução por um crime que ele não cometeu: veja o que ele pediu

Em maio de 2007, mulheres e homens sem-teto de Nashville, Tennessee e de todo o território dos EUA fizeram a festa com pizzas vegetarianas, cortesia de um companheiro condenado à morte chamado Philip Workman, um sem-teto e dependente de cocaína condenado em 1982 pelo assassinato de um policial de Memphis, seguido de um roubo fracassado a um restaurante da rede Wendy’s.


Nos anos seguintes, no entanto, Workman – recuperado das drogas – encontrou seu caminho em Cristo. O reverendo Jane Fisler Hoffman, um ministro da Igreja Unida, que visitou Workman na prisão, explicou o encontro deste preso com Deus:


“Ele falou de ter encontrado sentido no cristianismo somente depois de ter tido um sonho no qual ele caía em um buraco profundo. Uma corda descia até ele. Apesar de achar que a corda se afastaria dele, tentou pegá-la. A corda não se moveu e ele escalou até chegar à sua cela. Então sentiu que Deus havia chegado até ele e o havia tirado do seu desespero. Desde então, começou a ler, rezar e estudar a Bíblia.”


Ao mesmo tempo, o caso contra Workman havia começado a ser esclarecido: cinco dos jurados originais assinaram uma declaração renunciando à sentença e ao veredicto, citando evidências balísticas e médicas que não haviam sido apresentadas no julgamento original e que mostravam que o policial morto havia sido vítima de um tiro acidental de outro oficial.


Além disso, uma testemunha da acusação, Harold Davis, desmentiu seu testemunho anterior, admitindo que havia preenchido um relatório falso para receber uma recompensa que lhe permitiria comprar drogas.


Em 2000, tanto o ex-advogado do distrito que havia conduzido o caso como a filha do policial morto pediram ao governador que concedesse clemência a Workman.


Apesar das novas informações, a pena e a sentença foram levadas a cabo: às 2h da quarta-feira, 7 de maio de 2007, Workman foi executado por meio de uma injeção letal.


No último dia da sua vida, foi-lhe permitido escolher sua última refeição. Ao invés de escolher um suntuoso jantar para si, Workman pediu que distribuíssem pizzas vegetarianas a todos os sem-teto da região. A prisão rejeitou a petição, alegando que fazer atos de caridade ia contra sua política.


Quando a notícia da sua morte foi divulgada pela imprensa, na manhã seguinte, os cidadãos locais souberam da generosidade das suas últimas horas. Pouco a pouco, as pessoas começaram a pedir pizzas, para entregá-las nos albergues para os sem-teto.


Uma mulher chegou a destinar 1.200 dólares à compra de 150 pizzas, que foram entregues ao Rescue Mission de Nashville. O presidente do People for the Ethical Treatment of Animals leu a notícia e pediu outras 15 pizzas para o Oasis Center, um refúgio de Nashville que ajuda cerca de 250 adolescentes em crise. Ao longo daquela noite, outras pizzas chegaram à instituição.


E enquanto os noticiários nacionais informavam sobre esta história, pessoas sem-teto de todo o país receberam pizzas vegetarianas, como tributo ao homem de voz suave que usava um boné de beisebol no qual estava escrito “O que Jesus faria?”.


A vida de Workman havia terminado, mas sua história continuou. Também continua a polêmica sobre a pena de morte nos Estados Unidos.

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