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Rolling Stone ou pedra sólida?

Rolling Stone or Solid Rock – pt

Rolling Stone

Pe. Dwight Longenecker - publicado em 04/02/14

Às voltas, de novo, com a imprensa popular

O Papa Francisco vem acumulando capas de revista. Nos últimos meses, seu rosto sorridente estampou a capa da Time, como sua Personalidade do Ano. Ele foi destaque também na The New Yorker, na edição italiana da Vanity Fair e até em uma revista de ativismo gay dos EUA, a The Advocate. Agora, Francisco é capa da revista Rolling Stone e protagoniza um artigo de 7.700 palavras intitulado "The Times They Are A-Changin’", em referência a uma famosa canção do cantor pop Bob Dylan [“Os tempos estão mudando”, ndr].

O papa pop também foi visto nesta semana enfeitando um muro da região romana de Borgo, logo ao lado dos portões do Vaticano. Com uma capa esvoaçante, Francisco foi representado “para o alto e avante”, como um super-herói dos quadrinhos.

Eu não gosto de ser desmancha-prazeres, mas, provavelmente, os mestres da cultura pop vão expressar seu “desapontamento” com o Papa Francisco muito em breve. A mudança que eles percebem é principalmente de estilo e de ênfase. Já a mudança que eles querem não é provável que aconteça, porque a mudança que a turma da imprensa mundial deseja é que o Papa Francisco adote a agenda progressista deles.

Esta semana, no Huffington Post, já houve rumores de que o Papa Francisco estaria desapontando os gays e as mulheres. Afinal, ele sorri e diz coisas agradáveis ​​como "Quem sou eu para julgar?", mas não permitiu mulheres-padres nem mexeu na doutrina da Igreja sobre a homossexualidade. A decepção (e, com ela, a raiva)já está começando a se revelar.

A imprensa popular precisa encarar o seguinte: as mulheres não vão ser ordenadas sacerdotes. Na famosa “entrevista do avião”, em que o papa disse "Quem sou eu para julgar?", ele também afirmou que "a porta está fechada para a ordenação de mulheres". E se ele não condenou duramente os atos homossexuais, também não os aprovou, nem vai aprovar.

O que observadores casuais não entendem é que o ensinamento moral católico está intimamente ligado à teologia católica. Os católicos não têm simplesmente um “livro de regras”, como se fosse um manual escolar que o papa pode editar e alterar a seu bel-prazer. A doutrina moral católica sobre a sexualidade humana se vincula ao que os católicos acreditam sobre a pessoa humana, e o que acreditamos sobre a pessoa humana se vincula ao que acreditamos sobre Deus Pai, seu Filho Jesus Cristo e Maria, a Mãe de Deus. No catolicismo, aquilo em que acreditamos e o modo como nos comportamos são uma unidade integrada, como duas mãos que se juntam em oração.

As altas expectativas levam muitas vezes a grandes decepções. Os católicos estão encantados com a popularidade do Papa Francisco, mas eu temo os “especialistas” da imprensa popular, que, claramente, têm grandes esperanças de uma mudança radical e serão radicalmente desiludidos. O Papa Francisco mostra a compaixão de Cristo para com os pobres e marginalizados, mas, segundo a sua própria afirmação, ele é um "filho fiel da Igreja", o que significa que a fé católica pode ser praticada com um estilo diferente, mas sem mudança alguma na essência.

O título da revista, "Rolling Stone" [“Pedra que Rola”, em tradução livre], é adequado para a cultura pop, já que a cultura pop é mesmo uma pedra que vai rolando, sempre mudando de lugar conforme as inconstantes atitudes e pressões sócio-políticas. Jesus Cristo disse, porém, que iria construir a sua Igreja não sobre uma pedra que rola, mas sobre uma pedra sólida, contra a qual nem os poderes do inferno poderão prevalecer. Esta pedra é Pedro, seu amigo, cujo sucessor é o Papa Francisco.

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