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Não podemos dormir tranquilos

John Perivolaris
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A Igreja é esta mãe que volta seu coração preferencialmente para os que estão doentes, fracos, debilitados, excluídos

No dia 17 de agosto o Papa Francisco postou em sua conta verificada no twitter a frase: “Não podemos dormir tranquilos enquanto houver crianças que morrem de fome e idosos que não têm assistência médica.” Há um universo por trás deste grito breve e intenso de solidariedade. É a concretização da opção preferencial pelos pobres na figura de duas categorias extremas: crianças e idosos.

Qual é a mãe ou pai que dorme tranquilo sabendo que seu filho de três anos está com 40º de febre? A Igreja é esta mãe que volta seu coração preferencialmente para os que estão doentes, fracos, debilitados, excluídos. Alguém me perguntou se o pobre não pode ser todo aquele que precisa de Deus. Neste caso até os ricos mais ricos seriam de certa forma pobres. Esta forma de colocar as coisas chega a ser cínica. O pobre sabe que é pobre e não optamos preferencialmente por ele somente porque é pobre. Não se trata de uma opção sociológica. É uma opção teológica. Isto significa que seguimos os passos de Jesus que “se fez pobre por nós, para enriquecer-nos com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8,9), conforme recordou o Papa Bento XVI na abertura da Conferência de Aparecida, em 2007.

A Igreja na América Latina tematizou de modo emblemático a “opção preferencial pelos pobres”, em 1979, na Conferência do Episcopado Latino-americano em Puebla. Mas, na verdade, a reflexão começara 10 anos antes, em 1968 na Conferência de Medellín que soou como um eco do Concílio Vaticano II (1962-1965). O capítulo 14 do documento final tratou da “Pobreza da Igreja”. Percebeu o título? É exatamente o que afirmou o papa Francisco logo após sua eleição: “Como eu gostaria de uma Igreja pobre, para os pobres”. Sua simplicidade e solidariedade com os pobres tem sido um testemunho que até quem não crê admira e vê.

O Documento de Medellín abre seu capítulo 14 com a frase: “O Episcopado Latino-americano não pode ficar indiferente ante as tremendas injustiças sociais existentes na América Latina, que mantêm a maioria de nossos povos numa dolorosa pobreza, que em muitos casos chega a ser miséria desumana.” É nesta convicção que se apoia o papa Francisco para dizer de modo atualizado que não podemos dormir tranquilos se um irmão está sofrendo. Em seguida Medellín reconhece que não é possível que padres e bispos desfrutem até de cooisas supérfluas se o povo passa fome. Pede-se que a Igreja seja pobre com os pobres.

Medellín distinguiu três formas de pobreza. A pobreza material dos bens necessários à vida é um mal que rouba a dignidade da pessoa humana. Na bíblia esta situação é denunciada pelos profetas e vista como fruto da injustiça e do pecado humano. A segunda forma de pobreza é espiritual. Esta é a atitude de abertura e disponibilidade ao Senhor. É valoriza mas não se apegar aos bens deste mundo reconhecendo como valor supremo o Reino de Deus. A terceira acepção de pobreza é o compromisso assumido em favor dos pobres. É a solidariedade seguindo o exemplo de Cristo. Citando o Papa Paulo VI o Documento de Medellín afirma: “A pobreza da Igreja e de seus membros na América Latina deve ser sinal e compromisso. Sinal do valor inestimável do pobre aos olhos de Deus; compromisso de solidariedade com os que sofrem”. Estas três acepções de pobreza evoluiram para o ficou conhecido como “opção preferencial pelos pobres”, qua foi assimilada pela Igreja como parte importante de sua Doutrina Social.

Como vemos, o Papa Francisco em suas frases claras e marcantes tem como fundamento o que está nos documentos da Igreja e que nem sempre lemos com toda a atenção. Quem dormir tranquilo sabendo que seu irmão passa fome, pague aluguel do nome de “cristão”.