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A ONU ataca a Igreja: uma guerra ideológica e doutrinal

© Filippo MONTEFORTE / AFP
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Relatório da Comissão dos Direitos da Criança, da ONU, baseado em afirmações superficiais e contraditórias, é exemplo de uma ingerência doutrinal que já vem de longa data.

Diante dessa panorâmica, um número crescente de governos está pressionando por uma reforma das comissões da ONU, já vistas com desconfiança justamente por causa da separação que existe entre os seus membros (que agem como cidadãos particulares) e as políticas dos seus países de origem, mas também devido a uma tendência desses organismos a ir muito além da sua função original, que é a de monitorar a aplicação das convenções por parte dos países signatários. Prossegue Cascioli: "O que está acontecendo nos últimos anos é que essas comissões, como a dos Direitos da Criança, vão muito além do seu papel, tentando condenar e pressionar em questões que não competem a elas. Isto acontece porque esse ‘sistema de agências’, que inclui as comissões, é composto por burocratas, personagens, funcionários nomeados pelos países. Desde os anos sessenta, em especial, tem havido uma forte infiltração de lobbies muito interessadas ou no controle da natalidade ou nas questões do feminismo, do aborto etc. Hoje, de fato, essas agências estão todas na mão de um lobby muito poderoso, que conseguiu captar uma enorme quantidade de fundos internacionais para o desenvolvimento, para ajudas humanitárias etc., mas cuja agenda, na realidade, é a do radicalismo feminista, gay e afins".

Esta leitura nos explica, no tocante ao seu conteúdo, por que as 16 páginas de um documento que deveria tratar dos direitos da infância também abordam questões estranhas a ela, como a homossexualidade, ou até contraditórias, como é o caso do aborto. Em cada uma delas, a comissão expõe “violações” cometidas pelo Vaticano, que, por sua vez, é convidado a tomar “medidas de reforma”.

Significativamente, a primeira questão abordada é a que está mais distante do mundo da infância: a homossexualidade. No entanto, a comissão não deixa de notar a “discrepância” entre a declaração "progressista" feita pelo papa Francisco em julho de 2013, ao voltar do Rio de Janeiro para Roma, e as "declarações anteriores da Santa Sé", que teriam contribuído para a discriminação social e para a violência contra "adolescentes lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, bem como contra os filhos criados por casais do mesmo sexo". Esta argumentação reflete uma atitude adotada regularmente, nos últimos tempos, pelos inimigos da Igreja, ou seja, a instrumentalização da novidade encarnada pelo discurso do papa Francisco como coisa “antivaticana”. Entretanto, o "quem sou eu para julgar?", dito por Francisco, se refere às pessoas, não ao seu comportamento. O papa atual, em suma, não deve ser considerado como uma moderna e modernista contraposição à doutrina moral católica tal como concebida até hoje, doutrina que ele nunca teve a intenção de minar e que é atacada pela comissão da ONU em um caso de ingerência “ética”. Cascioli observa: “É verdade que certas declarações do papa Francisco, bem compreensíveis dentro de um desejo de se encontrar com os outros, são deliberadamente manipuladas para dar a impressão de que a Igreja está mudando a sua doutrina. Contribuem para isso algumas forças dentro da Igreja, que, em certos casos, adotam a mesma agenda dos inimigos externos no tocante a esses assuntos: entre eles estão os episcopados alemão, austríaco e suíço".

Um segundo aspecto em que a Igreja é criticada, e aqui entramos na questão de gênero, tem a ver com a sua forma de comunicar e definir os papéis masculino e feminino na linguagem, ainda às voltas com os estereótipos de gênero, especialmente nos livros didáticos, e com a tendência a promover "complementaridade e igualdade de dignidade", dois conceitos contrários ao "pensamento único" que a convenção pretende instaurar.

Outra questão destacada é a dos sequestros e do tráfico de pessoas. O tema vem acompanhado por uma rápida menção a casos que ocorreram no passado, na Espanha e na Irlanda (relatados no discutível filme de Peter Mullan, alguns anos atrás). Os casos mencionados, embora considerados pela comissão como se estivessem na ordem do dia, remontam há vinte anos. Além disso, ao pedir que a Igreja se abstenha de promover um comportamento violento em relação às crianças, a comissão sugere que ela se atenha a uma "correta interpretação das Escrituras" em seus preceitos e ensinamentos, mostrando uma extraordinária confiança nas próprias “habilidades exegéticas”.

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