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O que a imigração tem a ver com o terrorismo e a delinquência?

Lampedusa – Europe – pt

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"Plus jamais ça !"

Manuel Bru - publicado em 12/02/14

Os apelos do Papa Francisco parecem entrar por um ouvido e sair pelo outro

A mídia divulgou esta semana o falecimento de 14 imigrantes subsaarianos na costa de Ceuta, bem como a denúncia que várias ONG fizeram de uma previsível, ilegal e imoral ação da polícia.

À margem disso, mas indiretamente muito relacionado com estes fatos, o jornal “El País” comentou a recente reunião dos ministros do Interior em Cracóvia, sobre a qual se informou oficialmente que foi muito satisfatória, pois serviu para reforçar as fronteiras, “com o objetivo de melhorar a luta contra o terrorismo internacional, a imigração irregular e a delinquência organizada”.

Eu também não consigo entender o que a imigração tem a ver com o terrorismo e a delinquência. Mas infelizmente acho que sei o que os ministros quiseram dizer. A frase revela a mentalidade política dos governos europeus, em cuja lista de prioridades não se encontra em primeiro lugar o drama social nem os direitos humanos dos imigrantes, mas a “irregularidade” dos seus papéis, o que os situa no mesmo nível dos delinquentes e terroristas.

Um imigrante que, para sustentar a sua família, comete o delito de tentar atravessar as fronteiras dos países que colonizaram seus antepassados é, para os governos europeus, tão perigoso quanto um terrorista.

Parece que os engravatados ministros do interior não entenderam nada do apelo do PapaFrancisco em Lampedusa, quando disse aos seus governos que tudo isso é uma vergonha.

Na verdade, revela-se aqui o mesmo critério de fundo utilizado recentemente pela assessora socialista de Boadilla del Monte em Madri, ao defender que as crianças com deficiência devem ser abortadas, porque seu tratamento gera muitos gastos ao governo.

No caso dos imigrantes, nem seus direitos, nem sua dignidade, nem sequer sua vida valem algo ao lado do grande esforço que os Estados europeus teriam de fazer para acolhê-los, ainda que fosse apenas por algumas horas, para permitir que lhes deem um cobertor, uma refeição, que preencham uns papéis e sejam repatriados.

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