Aleteia logoAleteia logoAleteia
Quarta-feira 18 Maio |
Aleteia logo
Atualidade
separateurCreated with Sketch.

“O islã não é a única causa do conflito na Síria”

AP130123014917 – pt

© Rodrigo Abd / AP

Miriam Diez Bosch - Aleteia Vaticano - publicado em 13/02/14

A conferência de paz Genebra 2 já acabou. E agora?

Foi um encontro com muitos países representados e com uma grande interrogação, se falarmos das conclusões dos participantes. Um caminho com muitos obstáculos, armadilhas e dificuldades. Enquanto isso, continuam os bombardeios do regime contra a cidade de Alepo.

O enfrentamento entre sunitas e xiitas já aconteceu na Síria em fevereiro de 1988. Hafiz Al-Assad (1930-2000), que era o pai do atual presidente, não teve dúvidas na hora de atropelar a sublevação sunita dos Irmãos Muçulmanos na cidade de Hama. O ataque foi comandado pessoalmente pelo irmão do presidente, Rifaat Al-Assad. Morreram mais de 20.000 pessoas e essa ferida sunita faz parte da história da República Árabe da Síria.

Uma boa parte do conflito, então, é entre sunitas e xiitas?

Não podemos dizer que o islã é a única causa do conflito na Síria, mas é verdade que um dos problemas centrais gira em torno da autoridade e do controle do islã, entre sunitas e xiitas. Por isso, os diversos países árabes, ou de maioria muçulmana, como o Irã, apoiam uma parte ou a outra na guerra da Síria. O Iraque apoia o regime sírio, mas a Arábia Saudita e o Catar se alinham com a oposição ao governo de Bashar Al-Assad, por exemplo.

A minoria alauíta, de inspiração xiita, tem controlado a República da Síria com mão de ferro desde a década de 1970. O regime alauíta se sente apoiado pela República Islâmica do Irã e pelo partido Hezbollah, do Líbano. Mas a Arábia Saudita, o Catar e a Turquia oferecem ajudas e apoio à oposição, especialmente ao Exército Livre da Síria, que foi fundado por oficiais desertores em julho de 2011.

Alguns meses mais tarde, em dezembro de 2011, as tropas americanas se retiraram do Iraque. Daquele momento em diante, os sunitas e os xiitas aceleram os enfrentamentos, enquanto o eixo Damasco-Bagdá-Teerã se consolidava e se reforçava. As tribos sunitas no Iraque declaram guerra ao primeiro-ministro do Iraque, Nuri Al-Maliki, desafiando-o abertamente e pedindo a sua renúncia.

O conflito se estendeu então ao Iraque.

Em dezembro de 2012, começou uma grande mobilização popular que tinha como epicentro a cidade de Faluja, a oeste de Bagdá e às margens do Rio Eufrates. É uma das regiões mais significativas para os sunitas. Faluja é conhecida como “a cidade das mesquitas”, por causa das numerosas mesquitas, mais de duzentas, que estão na cidade e nos vilarejos vizinhos.

As faixas e cartazes das manifestações populares faziam referências diretas ao Exército Livre da Síria. Ou seja, o conflito da Síria tinha ultrapassado a fronteira com o Iraque. Não só com o êxodo massivo de refugiados sírios, mas também com o renascimento da irmandade sunita.

Os sentimentos, as crenças e a fé das pessoas não têm fronteiras geográficas. Elas se solidarizam mais ainda nos momentos difíceis, de dor, de incerteza, de guerra. É o que está acontecendo nesta situação trágica da Síria. Sempre houve relações familiares e laços históricos entre os sunitas sírios e iraquianos. Mas o conflito sírio deu visibilidade concreta, guerreira, a essas alianças tradicionais, com a fundação do Exército Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS, na sigla em inglês).

  • 1
  • 2
  • 3
Tags:
GuerraMuçulmanosMundoPerseguição
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

PT300x250.gif
Top 10
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia