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A Igreja precisa de instituições financeiras para evangelizar?

Money has to serve, not rule!’ Pope tells new ambassadors – pt

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Aleteia Vaticano - publicado em 14/02/14

A questão dos recursos financeiros da Igreja se parece com a do seu poder temporal

Parece razoável a todos que a Santa Sé e os entes religiosos tenham necessidade de administrar adequadamente seus recursos para sustentar as obras que nascem e alimentam o objetivo primário da Igreja, ou seja, a evangelização. Da mesma maneira, é razoável pretender que a gestão desses recursos seja sempre exemplar e respeite as normas, de tal forma que não comprometa a credibilidade da Igreja. Então, por que abordamos este problema?

Na edição de janeiro de "Timone", Ettore Gotti Tedeschi escreve que "falamos deste problema porque a questão dos recursos financeiros da Igreja se parece com a do seu poder temporal, que teve seu epílogo em 1870, com a conquista militar de Roma por parte do exército italiano".

O ex-presidente do IOR (Instituto para as Obras de Religião), conhecido como "banco do Vaticano", explica que a moral e o uso do dinheiro são duas coisas diferentes e o que mais importa é como o dinheiro é gerado e empregado.

O magistério da Igreja, segundo o economista, considera a economia como um instrumento ao serviço da pessoa e, se não for assim, acaba se transformando em um fim. A história da economia demonstra que não existe a incompatibilidade entre um fim e um instrumento, entre moral e economia. Tudo depende de quem os usa e de quem os faz.

"Pensemos nos mosteiros beneditinos, que transformam o trabalho em progresso, dando-lhe um significado. Pensemos na Escola de Salamanca, que elaborou, depois do descobrimento da América, as leis necessárias da economia moderna", comenta.

Os problemas estão, acima de tudo, no "niilismo da cultura do homem, na globalização acelerada, que quer uma moral homogênea e laicista. O católico considera os recursos econômicos como um meio para alcançar um objetivo. O leigo (laicista), no entanto, considera a economia como um fim; para ele, a via não tem uma dimensão sobrenatural e o homem é somente um animal inteligente que tem de satisfazer-se materialmente".

A Igreja está convencida de poder oferecer à humanidade uma contribuição importante no campo moral, inclusive no que diz respeito aos aspectos econômicos, e prova disso é a sua doutrina social, nascida na segunda metade do século 19.

E o que dizem a doutrina social e os princípios indicados como fundamento da ordem social de Pio XII?

Tedeschi responde que, entre outras coisas, propõem adaptar os meios aos fins, recordando que "o homem precisa de unidade de vida e desapego dos bens materiais, e as leis econômicas funcionam quando os recursos não são desperdiçados, quando existe um desenvolvimento integral e um equilíbrio, quando existe distribuição equitativa e quando o consumo não é exagerado".

A Igreja tem a tarefa de transmitir a fé, porque é precisamente a falta da luz da fé a origem da atual crise econômica. Para que possa fazer isso, é preciso que existam os recursos necessários e ela precisa administrá-los.

"As estruturas econômico-financeiras são instrumentos. Se não funcionam, antes de trocá-las, e necessário verificar como estão sendo administradas. Sobretudo, não podem ser submetidos a discussão os princípios que as inspiraram", conclui.

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