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Estes não são os Estados Unidos em que a minha geração cresceu

Nathan Bilow/Invision for The North Face/AP Images

IMAGE DISTRIBUTED FOR THE NORTH FACE - David Wise of Reno, Nevada member of the U.S. Freeskiing Team and his daughter, Nayeli Grace Wise, play around in his new competition uniform from The North Face, while in Aspen, CO this week preparing for the X-Games. Monday, January, 20, 2014 in Aspen, CO. (Photo by Nathan Bilow/Invision for The North Face/AP Images)

Aleteia Vaticano - publicado em 26/02/14

É acreditável o novo "estilo de vida alternativo" que a NBC está promovendo em sua cobertura das Olimpíadas de Inverno

É ultrajante. Todo o nosso progresso está sendo posto em xeque?

Numa reportagem publicada no começo desta semana, a NBC decidiu usar a sua plataforma exclusiva de cobertura dos Jogos Olímpicos de Inverno para destacar o mais novo "estilo de vida alternativo".

Esta é a descrição que ela faz na reportagem "Estilo de vida alternativo de David Wise garante ouro olímpico", ao apresentar ao público o esquiador norte-americano:

"David Wise é muito mais maduro do que a sua idade sugere. Com apenas 23 anos, ele é casado com Alexandra, que o esperava pacientemente no meio da multidão, e tem com ela uma filha de dois anos, que espera os pais voltarem para casa em Reno, Nevada. Apesar da idade, Wise tem um estilo de vida de adulto. Ele usa um bebê-canguru da Baby Bjorn para carregar a filha pelo bairro e frequenta a igreja regularmente: Wise diz que pensa em ser pastor daqui a alguns anos".

Qual seria a próxima pauta? “Conseguirá Wise permanecer fiel à sua esposa durante a vida inteira?”, talvez? “Terão Wise e sua esposa mais filhos?”, quem sabe?

Estes não são os Estados Unidos em que a minha geração cresceu.

Nos Estados Unidos em que a minha geração cresceu, o "casamento tradicional", essa insuportável relíquia da religião medieval, estava em franca decadência. Era ótimo para o desconto do seguro, mas totalmente opcional para as relações sexuais e para ter filhos.

E se você fosse imbecil o suficiente para se comprometer desse jeito com uma única pessoa (você não sabia que vocês dois iriam mudar?!), não se preocupe: nos Estados Unidos em que a minha geração cresceu, o divórcio unilateral e sem culpa era facilmente acessível e amplamente praticado.

Nos Estados Unidos em que a minha geração cresceu, a nossa biologia misógina foi finalmente vencida. A contracepção era onipresente e quase universalmente utilizada. Era ensinada nas escolas e repassada de graça. Tínhamos progredido tanto que o governo federal finalmente conseguiu forçar os últimos malucos religiosos que tinham sobrado a se virarem para pagar a conta dessa liberação. O sexo era livre para ser o que sempre quisemos que ele fosse: prazer irrestrito, sem ônus de filhos.

Nos Estados Unidos em que a minha geração cresceu, se a sua namorada engravidasse apesar de todos os cuidados disponíveis, ela podia optar por fazer o que quisesse com seu corpo: uma escolha que era feita, aliás, mais de um milhão de vezes por ano.

Nos Estados Unidos em que a minha geração cresceu, você não precisava crescer tão rápido. Ninguém esperava que as pessoas assumissem responsabilidades na casa dos 20 anos. Afinal, como? Elas ainda precisavam se encontrar! E enquanto elas se procuravam, podiam ficar morando com os pais, depender dos planos de saúde deles até completarem 26 anos e brincar com os amigos por aí.

Sim, sim, alguns dos leitores de mente mais nivelada vão me lembrar que todos esses avanços culturais continuam em pleno vigor até hoje. Mas histórias como a de David Wise, ainda mais quando ganham exposição internacional, são uma rachadura no dique: elas sugerem que as coisas podem mudar.

Fique atento! Se David Wise é uma indicação do rumo que as coisas podem tomar no futuro, então isto aqui não são mais os Estados Unidos em que a minha geração cresceu.

E isso pode ser uma coisa muito boa.

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