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Pastor pentecostal e astro de TV morre picado por cobra

© DR
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Jamie Coots recusou tratamento médico por motivos religiosos

O pastor pentecostal Jamie Coots, astro do programa de televisão “Snake Salvation”, da National Geographic, morreu em decorrência da picada de uma cobra que estava sendo “usada” como parte de um evento religioso da sua igreja, em Middlesboro, no Estado norte-americano de Kentucky.
 
No coração do movimento pentecostal existe a experiência direta e espontânea do diálogo místico com Deus. Esse diálogo se manifesta no exercício de dons espirituais considerados como sinais da ação soberana de Deus entre os homens. Por isso, durante os atos religiosos, acontece a invocação comunitária do batismo do Espírito Santo sobre os crentes, a fim de conseguir a anulação dos pecados e o recebimento de carismas como falar em línguas, profetizar, curar, expulsar demônios e até resistir a venenos e serpentes.
 
A perigosa prática relacionada com as cobras, em particular, se desenvolveu como uma corrente extremista de igrejas pentecostais dos EUA. Própria das chamadas "igrejas dos sinais", essa corrente nasceu em 1909 na Igreja de Deus de Cleveland, da qual acabou sendo excluída anos mais tarde, e seu principal líder foi George Went Hensley (1880-1955). A prática tornou aquela congregação pentecostal conhecida também como a Igreja dos Snake Handlers, ou manipuladores de serpentes.
 
Existe na base de tudo isso uma degeneração da maneira de se interpretar a bíblia: o fundamentalismo, cujas longínquas raízes chegam às mesmas fontes da Reforma protestante, com seu princípio da “sola Scriptura”.
 
Neste caso particular, porém, a “ata de nascimento” do fenômeno remonta a uma reunião do Congresso Bíblico Norte-Americano em Fort Niagara, no Estado de Nova Iorque, em 1895. Exegetas protestantes, predominantemente conservadores, divulgaram depois daquele evento um documento em que afirmavam a verdade literal das Sagradas Escrituras. Com o tempo, depois de muitas reviravoltas e divisões dentro das várias igrejas pentecostais norte-americanas, houve um ressurgimento dessa hermenêutica bíblica durante a década de 1970, em um contexto que misturava "televangelistas", grupos religiosos como as Testemunhas de Jeová e movimentos de corte espiritual-carismático.
 
Vários líderes das "Igrejas dos sinais" morreram durante os seus atos religiosos ao colocarem a própria fé à prova, baseando essa prática em uma passagem do evangelho de São Marcos (16,17-18): "Estes sinais hão de acompanhar aqueles que acreditam: em meu nome expulsarão demônios, falarão novas línguas, pegarão serpentes com a mão e, se beberem qualquer veneno, não lhes fará dano; imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão".
 
As "Igrejas dos sinais" induzem os fiéis a demonstrar a plenitude do batismo do Espírito Santo e o favor de Deus sobre eles não apenas manipulando cobras venenosas, mas também colocando as mãos no fogo ou incendiando o próprio corpo, além de beber venenos mortais como a estricnina.
 
O erro do fundamentalista, que nunca adota nenhuma interpretação, está na convicção de que a bíblia é só de Deus, sem envolvimento algum com a atormentada trama da história humana. A bíblia, no entanto, é uma história progressiva da Palavra de Deus, que se entrecruza com a palavra do homem e se caracteriza por um desenvolvimento.
 
Como observa a Pontifícia Comissão Bíblica em seu documento sobre a interpretação da bíblia na Igreja católica (1993), "o fundamentalismo convida, sem dizê-lo, a uma forma de suicídio do pensamento. Ele insere na vida uma certeza falsa, porque confunde, inconscientemente, os limites humanos da mensagem bíblica com a substância divina da mesma mensagem".
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