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Católico: os seus filhos precisam morrer pela Crimeia?

Airman 1st Class Joshua Kleinholz

John Zmirak - publicado em 07/03/14

O que nós, cristãos, devemos levar em conta na iminência de uma guerra estúpida

Entrar em guerra com a Rússia por causa de um território que já pertenceu a ela de 1783 até 1957 seria injusto, imprudente e, provavelmente, suicida.

É difícil, para mim, acreditar que estejamos no mês de março. Este mês tem um quê de agosto, de "agosto de 1914", para ser preciso.

Naquele mês, há quase exatos 100 anos, uma série de erros diplomáticos, sinais atravessados e mecanismos burocráticos soltou os monstros que rugiriam pelo resto do mais sangrento de todos os séculos da nossa história, um século em que mais civis foram assassinados pelos governos do que em todos os outros séculos juntos de história registrada.

Ao contrário da Segunda Guerra Mundial, cuja brutalidade pode ser atribuída aos ódios sociopatas de um único homem, a Primeira começou com uma confusão de afirmações desconexas, reivindicações contraditórias sobre um território em disputa, exigências de autonomia de minorias étnicas e respostas repressivas de governos centrais. Seguiram-se então os apelos dessas minorias às grandes potências vizinhas, o que desencadeou um efeito dominó quando outras grandes potências entraram em cena para "salvaguardar os seus interesses" e "conter as agressões" das nações rivais.

Em outras palavras, a Primeira Guerra Mundial começou da mesma forma que a guerra entre Rússia e Estados Unidos pode começar em 2014.

A Primeira Guerra Mundial terminou com a destruição de três dos regimes que tinham entrado nela, além de um saldo de 40 milhões de mortos, um continente falido e a substituição das monarquias bastante benevolentes com as ditaduras ideológicas. Por exemplo, quase cada centímetro quadrado da monarquia dos Habsburgos seria governado sucessivamente por Hitler e por Stalin.

A Europa de julho de 1914 era um lugar muito parecido com os Estados Unidos de hoje. Apesar das rápidas mudanças sociais e do fermento intelectual (Darwin, Freud, Nietzsche e Marx tinham recentemente deixado suas marcas na história), o continente tinha vivido 60 anos de paz quase ininterrupta e de expansão econômica. Novas tecnologias possibilitaram construir as coisas mais rápido e mais barato do que nunca. A melhoria nas comunicações e nos transportes unia terras distantes. Eu não acho que a palavra "globalização" fosse usada na época, mas é ela que define o que estava acontecendo então. O comércio exterior interligava Ásia, Europa e América. Uma rede de investimentos globais quebrava barreiras históricas. Era uma época de "progresso" que inspirava visões utópicas de um futuro sem trabalho sofrido, sem classes sociais e sem pobreza generalizada. Pensava-se que os sofrimentos que tinham levado os homens a buscar o “ópio da fé” estavam desaparecendo gradualmente, como também desapareceriam todas as igrejas.

A Europa que dançava à beira das linhas de alerta em 1914 era o mundo descrito nas histórias de Sherlock Holmes e nos romances de Edith Wharton, onde os piores monstros que rondavam a terra eram criminosos mesquinhos e solitários interesseiros. Mas quando os limites foram cruzados, como fronteiras invisíveis que separam a terra do inferno, o continente se encharcou do sangue de uma Terra de Ninguém, encolhendo-se atrás de cercas de arame farpado e sob nuvens de gás mortal. C.S. Lewis e J.R.R. Tolkien rastejaram nas trincheiras daquele horror, junto com milhões de outros soldados, e viram a vida dos seus amigos mais próximos ser estupidamente ceifada.

O que levou os homens de 1914 a jogarem tudo no lixo? Como foi que cristãos de tantas nações se convenceram de que aquele mesquinho conflito satisfazia as altíssimas exigências dos ensinamentos cristãos para que alguma guerra pudesse ser considerada justa? Do mesmo jeito que a humanidade tinha se enganado em cada século anterior, eu suponho… E os bispos, para piorar, se alinharam atrás dos seus governos, desafiando o papa, tentando evitar o rótulo de "antipatrióticos". O papa Pio X morreu logo depois que a guerra eclodiu. De desgosto, dizem até hoje. E o papa Bento XV renovou a “ofensiva de paz”, que só ganhou, porém, o apoio de um único governante: o Imperador Carlos I, da casa dos Habsburgos.

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Tags:
GuerraMundo
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