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Que livro o papa está lendo?

AFP PHOTO / FILIPPO MONTEFORTE
CITE DU VATICAN, Vatican City : Pope Francis kisses the book of the gospels as he leads a mass at St Peter's Basilica on January 1st, 2014 at the Vatican. AFP PHOTO / FILIPPO MONTEFORTE
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“Pedro e Madalena”, de Damiano Marzotto, sobre a complementaridade dos dois sexos no anúncio da mensagem cristã

"A parceria na obra do Evangelho sempre reuniu homens e mulheres, comprometidos num esforço conjunto, apaixonado e contínuo, dentro da fidelidade ao Senhor". É assim que começa o livro que, em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, o papa contou que está lendo: “Pietro e Maddalena – Il Vangelo corre a due voci”, escrito por Damiano Marzotto.
 
Fazendo uma pesquisa analítica do Novo Testamento, o autor verifica que a dinâmica da salvação se realiza "através de uma sinergia do masculino e do feminino".
 
Os elementos comuns que caracterizam esta colaboração são essencialmente três: "a capacidade de acolhimento por parte da mulher, combinada com um ativismo maior por parte do homem", permitindo "um amadurecimento e um cuidado duradouro da mensagem"; "uma capacidade de antecipação por parte da mulher, que precede e prefigura comportamentos masculinos: as mulheres têm, inclusive, uma ação de provocação para com Jesus e os apóstolos, incentivando-os à ação de salvação"; "um impulso ao universal", que caracteriza as intervenções "muitas vezes antecipatórias" da mulher em relação com o homem.
 
É de se notar que esta parceria na obra da salvação destaca a condição virginal da mulher. Talvez como "sinal de pobreza, fragilidade, disponibilidade", esta condição parece particularmente adequada para "acolher a ação do Espírito, a Palavra que fecunda e, no momento de paixão, o corpo do Salvador".
 
Em suma, se, por um lado, “a mulher provoca, precede, acolhe, interioriza, assimila e aprofunda, permitindo um desenvolvimento mais amplo, mais universal da salvação”, o homem, por outro lado, “concretiza o que foi começado com gestos pontuais, práticos, de reabilitação, de misericórdia, de anúncio”.
 
A atividade do homem, portanto, requer um "contraponto feminino de interiorização, de impulso inicial e antecipador, de abertura sempre maior; sem isso, a atividade se torna mero ativismo, o ímpeto do Evangelho diminui, se enfraquece".
 
Além disso, mesmo na geração de Jesus, o Salvador, já se notava uma parceria entre uma mulher e um homem: "Maria tinha concebido pelo poder do Espírito Santo e dado à luz um filho, mas José, o filho de Davi, tinha que acolher Maria como sua esposa e dar ao bebê o nome de Jesus". O dom do alto veio primeiramente para uma mulher, mas esta graça teve de ser acolhida com a participação original de um homem para ser eficaz na história da salvação.
 
Esta cooperação pode ser vista simbolicamente na cena do sepulcro. "Maria Madalena e a outra Maria contemplaram o mistério da morte de Jesus e, de alguma forma, acolheram o Espírito; por isso, elas estão agora sentadas em frente ao sepulcro que, durante breve tempo, guarda o corpo de Jesus. Mas é José, um homem rico de Arimateia, um discípulo de Jesus, que, depois de ter recebido o corpo, o coloca no sepulcro novo. As mulheres contemplaram o dom do corpo de Cristo na cruz, mas é José quem cumpre fisicamente o convite de Jesus: ‘Tomai: este é o meu corpo’".
 
Ao relermos a figura de Jesus nos Evangelhos, explica Marzotto, ele aparece como a realização mais perfeita da imagem de Deus, mas a sua fecundidade não se realiza sem uma estreita associação de algumas mulheres ao mistério da redenção, da regeneração da humanidade. "Elas o serviram desde a Galileia, subiram com ele até Jerusalém, participaram da sua morte e do seu sepultamento e se tornaram assim as primeiras testemunhas da sua ressurreição. Isto sem mencionar todas as outras mulheres que Jesus encontrou no seu ministério e que o ajudaram a manifestar aspectos particulares do seu mistério de salvação".
 
O caminho universal da salvação se apresenta, assim, numa constante sinergia de masculino e feminino. Mais precisamente, a presença das mulheres parece "favorecer a abertura universal, tanto nos momentos iniciais, originários, de tomadas de decisão, quando é preciso acolher toda a força propulsora do Espírito, quanto também nos momentos do lançamento concreto, em que devem ser superados os pesos de esquematismos consolidados e das hostilidades relacionadas". As mulheres também parecem "particularmente capazes de antecipar os desdobramentos da salvação e de se tornar suas anunciadoras privilegiadas", apresentando-se ainda "como referências de acolhimento, de hospitalidade, proporcionando ao caminho do êxodo uma morada, a prefiguração do reino, do lugar da liberdade e do universalismo".

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