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Meninas e sexo: a “primeira vez” não significa mais nada

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Emanuele D'Onofrio - publicado em 12/03/14

Pesquisa realizada por jornal italiano apresenta garotas de quatorze anos que consideram a virgindade “um peso do qual se livrar”

"Até que enfim fui aberta!". Foi com esses termos que uma adolescente saiu gritando pela quadra de vôlei da escola, na Itália, para comunicar, urbi et orbi, que tinha perdido a virgindade. Na pesquisa publicada há dois dias pelo jornal italiano “Il Fatto Quotidiano”, esta talvez seja uma das frases mais suaves que podem ser lidas.

O mundo apresentado na pesquisa é o de jovenzinhas, pouco mais que crianças, muitas delas nem sequer adolescentes ainda, que vivem experiências sexuais com uma leviandade desconcertante, com grande “agressividade” no assédio aos meninos, tudo para se gabarem diante da turma. É um sexo “social”, feito de roteiros predefinidos, que “precisam” ser postos em prática e depois divulgados aos quatro ventos, inclusive com imagens mais ou menos “roubadas”. Mas que tipo de consequências esse turbilhão de hormônios e de emoções acarreta na sensibilidade daquelas jovens meninas?

Aleteia foi conversar com o doutor Federico Bianchi di Castelbianco, psicólogo e psicoterapeuta, um dos principais especialistas da Itália nessa fase do desenvolvimento.

Dr. Bianchi, a pesquisa aponta que a virgindade, para as meninas de quatorze anos, está sendo vista, no geral, como um fardo. É isso mesmo?

Bianchi: Essa pesquisa estudou um ponto que é verdadeiro, mas que é pouco significativo se não levarmos em consideração o quadro completo da situação. Uns doze anos atrás, a virgindade “tinha que” ser perdida até o começo da faculdade. Depois, o “limite” foi baixando até cair, agora, para os 14 anos. Mas a pergunta que nós temos que fazer é: de onde é que vem essa redução na idade da perda da virgindade? Se olharmos para o problema da sexualidade no seu conjunto, nós temos que partir de uma premissa que dá origem a muitas situações. Falando com os pré-adolescentes, e eu estou falando de uma pesquisa que fizemos com milhares e milhares de meninos e meninas, nós percebemos que já faz alguns anos que eles estão separando a sexualidade da afetividade. Essa é a raiz de tudo isso. Por exemplo: uns cinco, seis anos atrás, existia a figura do “sexo amigo”: o menino ou a menina contava com aquela amiga ou com aquele amigo para “se divertir”, sabendo que tudo ia ficar só nisso, só na amizade. Aquilo mostrava que existia uma escolha consciente, clara e forte, de que todas as efusões sexuais tinham que ser isentas de afeto. Quando eu declaro para mim mesmo que o sexo pode ser uma atividade sem afeto, e os outros também acham a mesma coisa, aquilo vira uma ginástica, mais ou menos agradável. Evidentemente, se as coisas chegaram a esse ponto, quanto antes eu me livrar da virgindade, melhor, porque ela não tem nenhum valor para mim. O ato sexual não tem nenhum valor em si. Então, quando uma garota faz sexo com quatro pessoas diferentes em uma semana, é como se ela estivesse saindo para dançar com quatro pessoas diferentes, porque o ato em si não tem mais nenhum valor.

Como são as dinâmicas entre esses adolescentes?

Bianchi: Muitas festas e encontros de amigos viram festas e encontros de tipo sexual, mas sem conotações afetivas, relacionais. Uma das brincadeiras que eles fazem, por exemplo, é assim: alguém se esconde dentro de um armário; o próximo que abrir a porta também entra e o que acontecer lá dentro, aconteceu. Eles se privam até da escolha. Outro jogo é todo mundo beijando todo mundo. Eu gostaria de acrescentar o seguinte: antes, as experiências de brincadeiras com o mesmo sexo eram mais frequentes entre os rapazes, em colégios, no serviço militar, etc., ou seja, em ambientes sem meninas. Hoje, a quantidade de experiências homossexuais entre as mulheres aumentou tanto que ela atinge quase o mesmo nível, mesmo sem aqueles contextos de ausência do sexo oposto. Além disso, a experiência homossexual é vivida não como uma coisa que tem que ser entendida, mas eles simplesmente dizem: "foi bom" ou "não foi grande coisa, não quero repetir isso". Tudo isso sugere que a experiência homossexual não nasce de uma atração, mas de uma necessidade de "estar na moda". Esse é o grande drama.

É impactante a linguagem pesada, o fato de que o sexo praticado seja gritado aos quatro ventos, como se ele só fizesse sentido como uma “experiência social”. O que você pensa disso?

Bianchi: Bom, é claro que a linguagem é pesada e crua, porque se eu tirei do ato sexual qualquer aspecto de sentimento, o que me resta é o ato "bruto", mecânico. A linguagem qualifica esse ato mecânico e só expressa a brutalidade, a força, o poder, o nojo… Eu despojei aquele ato de qualquer sentimento, e, por isso, quando vou falar dele, falo de um jeito que reflete essa falta de sentimentos. Voltando ao assunto da homossexualidade, a grande questão não é se existem ou não existem jovens com tendências homossexuais; o problema é que as mensagens sociais que nós passamos para os jovens são: "o que é gay é bonito e divertido", e "o casal é uma chatice". Este é o exemplo que nós estabelecemos. Um filme de alguns anos atrás, com Margherita Buy, mostrava o quê? A mulher e o marido ficavam deprimidos quando estavam juntos, mas quando o marido participava de festas com os gays, ele ficava alegre, sorridente, feliz. Esta é a imagem que nós estamos passando. Uma década atrás, aconteceu o beijo em público de Madonna e Britney Spears, durante um show, um beijo cheio de sensualidade. Centenas de milhares de meninas, só na Itália, seguiram aquele exemplo só no espaço de uma semana.

E que tipo de mensagem os adultos estão passando?

Bianchi: Nós, adultos, lançamos mensagens paradoxais: se você faz sexo com o sexo oposto, o sentimento não é necessário; já a homossexualidade é divertida. Mas para as crianças que ainda estão à procura de uma identidade sexual, não deveria ser sugerido nada. Com a lógica delas, mesmo que essa lógica esteja errada, elas vão crescendo e não devem ser condicionadas pelos adultos. Se pesquisassem o número de rapazes que só tiveram uma única experiência homossexual, descobririam que o número é enorme. E entre as meninas, isso também virou uma "tendência", incentivada pela moda, não por uma pulsão.

Podemos dizer que foram principalmente as meninas que mudaram de comportamento sexual em comparação com o passado?

Bianchi: Atenção. Antes, a mulher dava um valor sentimental ao sexo. Quando os jovens decidiram que não é mais assim, a linguagem se tornou crua, e não poderia ser diferente. Quando fazer sexo é a mesma coisa que dar dois chutes numa bola de futebol, ou fumar um cigarro, ou um baseado, tudo é enfatizado do mesmo jeito. O problema é que é enfatizado com uma linguagem que vira um ponto de referência, e isso é uma coisa que os adolescentes não entendem, mas que também não foi entendida pela maioria das pessoas que acompanham os adolescentes. Significa que a menina tem que praticar atos sexuais violentos para dizer que ela "fez sexo". Ela “precisa” fazer sexo com dois ou três rapazes juntos, senão as palavras dela não vão ser tão bombásticas quanto a realidade. Infelizmente, as palavras que os jovens usam levam à prática. Falamos dos 14 anos como a idade em que se perde a virgindade: na realidade, desde antes disso os adolescentes contam para nós, psicólogos, algumas coisas que revelam dois fenômenos. Primeiro, os meninos de 12 anos nos contam que as meninas é que vão tocar neles, e isso mostra uma inversão de tendência. Segundo, as meninas de 14, 15 anos, pedem para os pais trocá-las de escola. Isso porque elas foram extremamente desinibidas e “fáceis” durante o ensino médio e isso leva os rapazes a bater à porta delas, procurando por elas. Elas ficam envergonhadas daquilo que consideram como “uma clássica estupidez juvenil”. Mas isso elas não contam para os pais, e acabam ficando ali e vivendo um desconforto muito forte.

Mas essas meninas, depois de adultas, conseguem voltar a relacionar a sexualidade com a afetividade?

Bianchi: Sim, quando elas notam o vazio existencial dos relacionamentos em que o amigo clássico não é mais suficiente. Elas querem uma relação mais intensa e significativa, e acontece que aí elas "se agarram" ao rapaz por quem se apaixonam. Mas o problema é que, se aquele sentimento não é correspondido, essas meninas aceitam e concordam com tudo o que os rapazes querem. Vou dar um exemplo: eu conversei com meninas que foram agredidas pelos, digamos assim, “namorados”, e elas me diziam que estavam contentes. Quando eu perguntava por quê, elas respondiam: "Se ele me bate, quer dizer que ele se importa comigo". Estamos saindo completamente dos limites do bom senso. A questão nem é tanto denunciar um fator relacionado com uma idade ou com um evento: o panorama, o conjunto, é que é pesado. Estamos diante de meninas que, aos 13 anos de idade, “precisam” perder a virgindade, que fazem atividades sexuais como se fosse um tipo de ginástica, que se entregam com uma facilidade incrível. Quando aparecem aqueles casos de meninas se prostituindo, eu me pergunto como é que os adultos ainda se espantam. Se o roubo, para mim, não é roubo, é claro eu vou questionar quando me prenderem: "O que foi que eu fiz?". E as meninas, que são mais sinceras que os meninos, dizem abertamente: "Eu fiz isso porque eu queria dinheiro, porque eu queria uma vida boa". Ou seja, elas não estavam desesperadas. Muito pelo contrário: aquilo era “normal”.

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