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Quando nossa pequenez nos aproxima de Deus

Madre abraza a su hijo – pt

© Raúl Hernández González

Carlos Padilla Esteban - publicado em 14/03/14

Nossas fraquezas são uma ponte que nos liga ao céu quando aceitamos a misericórdia de Deus

Precisamos da experiência do perdão para poder depois ser misericordiosos. Uma pessoa dizia: "Em minha carência de amor, reconhecida diante de Deus, é onde posso encontrar a fonte de amor para refletir esse amor aos outros. Na medida em que experimento a misericórdia de Deus em mim, posso oferecer misericórdia".

É precisamente a Confissão que nos torna humildes e necessitados de misericórdia. Cada vez que recorremos à Confissão, nós nos humilhamos e isso nos faz bem, porque assim crescemos em humildade. Nós nos tornamos pobres e necessitados.

Frente ao nosso pecado, Deus nos oferece a imensidade da sua graça, da sua misericórdia. Seu perdão é infinito. Nossa fraqueza é uma ponte que nos conduz ao céu, um caminho que nos eleva ao mais alto.

O Pe. Kentenich dizia: "Nossas faltas e misérias são o meio mais valioso para levar-nos aos braços do Deus Todo-poderoso. A esta luz, a experiência das nossas fraquezas morais nos fará ver a verdade daquelas palavras de São Paulo: gloriar-se na fraqueza (cf. 2 Cor 11, 30). Minha fraqueza me encaminha à misericórdia de Deus. É preciso tirar proveito das nossas faltas e pecados; elas são como um adubo".

Precisamos ver o pecado como algo natural, porque, se não o enfrentamos de maneira saudável, ele se torna um bloqueio e não nos deixa amar. O coração se bloqueia e não permite que o amor e a vida fluam. Acabamos nos fechando à ação de Deus em nossa vida, à ação da graça.

Mas também é muito comum perder a consciência do pecado. Muitos não se confessam porque não veem nenhum motivo para pedir perdão. Nada lhes parece pecado e não são conscientes de suas quedas e culpas.

Frente ao extremo dos escrúpulos, encontra-se esta consciência laxa, na qual não há culpa. A pessoa não se sente responsável pelos seus atos. As circunstâncias, os outros, a vida, permitem que ajamos de uma ou outra maneira. Já não parecemos culpados, já não falamos de pecado.

E, quando não temos consciência de termos pecado, então nos endurecemos e afastamos. A falta de consciência do pecado nos torna autossuficientes. Assim, perdemos a experiência do perdão, o poder palpar a imensidão da graça com a qual Deus atua.

O primeiro pecado do homem, narrado pelo Gênesis, tem a ver com esse desejo de ser como Deus. O homem não quer errar, não quer pecar, quer ser capaz de tudo. De fato, não gostamos dos limites. Queremos decidir, dominar, governar. Não queremos obediência e submissão. É o desejo de ser todo-poderosos. Fugimos dos limites e das barreiras.

Todos nós pecamos dessa soberba que nos faz querer ser como deuses. É a soberba que nos leva a fugir de Deus, porque seu poder nos espanta e limita. Sentimo-nos fracos diante do seu amor.

A atração do poder e de possuir a glória e a honra. O medo de que o outro tome as rédeas e nos submeta aos seus caprichos.

A tentação de ser poderosos, de controlar a vida, de ter o futuro em nossas mãos. O querer que a vida seja decidida de acordo com o nosso critério, de acordo com os nossos desejos. E, ao mesmo tempo, a tentação de possuir, de ter honra e fama. A tentação que nos leva a querer ter tudo: todos os reinos, toda a fama, toda a glória.

E acabamos esquecendo que as pessoas precisam ver Deus em nós. O seu rosto, não o nosso. Sua pobreza, e não nossa aparente riqueza. É a Ele a quem servimos.

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