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Construindo a civilização do amor

Emilio Dellepiane

Mark Gordon - Aleteia Vaticano - publicado em 15/03/14


liberal, que formalmente garante a liberdade religiosa, mas, ao mesmo tempo, vai minando a crença e a prática? Da mesma forma, será que aqueles que estão no terceiro estágio, que já se livraram do apego reflexivo ao liberalismo, podem descrever em termos positivos o tipo de pólis que construiriam como alternativa humana e tolerante, levando em conta os ensinamentos autênticos da Igreja e as lições aprendidas na transição do primeiro para o segundo estágio?

Goste-se ou não, a história forçará os dois campos a responder em breve a essas perguntas. O poeta William Butler Yeats escreveu em seu comentário sobre “A Segunda Vinda”: “O fim de uma era, que sempre recebe a revelação do caráter da próxima era, é representado pelo advento de um giro para o seu lugar de maior expansão e de outro para o seu lugar de maior contração… A revelação assumirá o seu caráter a partir do movimento contrário ao giro anterior…". E os giros estão hoje em ritmo alucinante.

Olhe ao seu redor: o liberalismo triunfa no Ocidente. As grandes e prósperas populações religiosas que ele herdou da era medieval foram trituradas por três séculos de nacionalismo, materialismo, racionalismo e secularismo. Hoje, a ditadura do relativismo se volta diretamente contra o que resta do cristianismo no Ocidente liberal. Nós podemos optar por lutar com ações de retaguarda contra o momentum dos tempos, e há valor nisto, mas, se o fizermos com as armas e táticas do inimigo, já teremos sucumbido. Reconhecer isto não é render-se. É ser sóbrio.

O que nós deveríamos estar fazendo é "construir uma nova civilização em cima da antiga", o que o beato papa João Paulo II chamou de "civilização do amor". Contrariamente às afirmações histéricas dos católicos liberais, esse trabalho não envolve a implantação de um estado confessional nem a restauração de uma monarquia católica. Para nós, construir uma nova civilização em cima da antiga significa desafiar o espírito burguês desta época, com seus ídolos mesquinhos e suas lealdades divididas. Significa ver a nós mesmos como católicos. Significa fazer das obras corporais e espirituais de misericórdia o nosso padrão de vida diária, em vez de aderir ao vigente ethos corporativista. Significa imitar os primeiros cristãos, que "se devotaram ao ensinamento dos apóstolos e à comunhão fraterna, a partir o pão e a orar". E, sim, pode envolver também a recusa de toda liberalidade do governo, como a isenção de impostos, assim como a oposição às guerras injustas do Estado e o ato de desafiar as ordens que proíbem isso ou comandam aquilo.

Será que esse tipo de testemunho vai atrair desprezo e talvez perseguição? Sim, é claro, mas desde quando ser cristão significa estar livre dessas coisas?

“Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse. Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis. Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado” (1 Pd 4,12-14).

A ideia de que a liberdade é coisa concedida ou negada pelo que a Serva de Deus Dorothy Day chama de "Santa Mãe Estado" é uma bobagem. Sempre seremos livres para seguir a Cristo e a Sua Igreja, independentemente do que esse tribunal ou aquele presidente vier a dizer. Certamente, nenhuma pessoa em sã consciência espera uma prova de fogo, mas os mártires não ofereceram nada a César para se salvar da prova. "Faça como quiser", respondeu São Justino Mártir, "pois nós somos cristãos e não oferecemos sacrifícios aos ídolos".
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MundoPolítica
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