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O pe. Bergoglio salvou a minha vida na ditadura argentina

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Associated Press - publicado em 19/03/14

Novas revelações sobre a ação do papa Francisco contra o terror de Videla

Militante de esquerda, Gonzalo Mosca sabia que os seus dias estavam contados. Com apenas 27 anos, ele tinha fugido para a Argentina, escapando dos militares do seu Uruguai natal. Não imaginava que um plano repressivo coordenado pelos regimes do Cone Sul nos anos setenta o transformaria num perseguido também em Buenos Aires.

"Eu sentia que eles estavam nos meus calcanhares o tempo todo. Eu pensava que a qualquer momento eles iam me matar".

Depois de escapar milagrosamente de uma inspeção militar no local em que estava escondido em Buenos Aires, Mosca procurou a ajuda do irmão, um padre jesuíta que o colocou em contato com seu superior, Jorge Mario Bergoglio. Bergoglio foi buscá-lo para escondê-lo em outro local mais seguro. Hoje, Mosca recorda os trinta quilômetros que viajou em um carro dirigido pelo futuro papa até o Colégio Máximo dos jesuítas, no bairro de San Miguel.

"Ele me deu umas instruções: ‘Se eles nos pararem, você diga que vai a um retiro espiritual. Tente passar despercebido’. Ele parecia muito tranquilo. Eu me perguntava se ele sabia do apuro em que estava se metendo. Se eles nos pegassem, teriam matado os dois", contou Mosca, de Montevidéu, à Associated Press. Depois de ficar escondido durante vários dias no Colégio Máximo, ele fugiu para o Brasil.

Mosca jura que deve a vida ao agora papa Francisco.

No primeiro ano de seu pontificado, Francisco não só revitalizou a Igreja católica ao ressaltar a atenção aos pobres e o papel da misericórdia, mas também varreu algumas dúvidas que ainda persistiam sobre o seu papel durante a ditadura militar na Argentina, que durou de 1976 até 1983.

Quando foi eleito papa, surgiram denúncias de que Bergoglio teria fingido que nada estava acontecendo no país durante aqueles anos. Ele foi acusado ainda de delatar às forças de segurança dois jesuítas que militavam em bairros pobres e que foram sequestrados em maio de 1976, Francisco Jalics e Orlando Yorio. Mas o próprio Jalics, o único dos dois que ainda está vivo, não faz acusação alguma contra o novo papa. Ao mesmo tempo, surgiram revelações de que Bergoglio ajudou muitas pessoas escondendo-as no Colégio Máximo dos jesuíta e impedindo que os seus nomes aparecessem entre os 30.000 desaparecidos da ditadura.

O jornalista argentino Marcelo Larraquy estimou que o pontífice tenha salvado "duas ou três dúzias" de pessoas. Já o escritor italiano Nello Scavo, autor do livro "A lista de Bergoglio", fala de uma centena.

Scavo diz ter encontrado documentos e testemunhos que excluem qualquer conivência do papa com o regime, destacando, pelo contrário, a sua ajuda aos perseguidos. "E a lista de Bergoglio ainda não está completa", acrescenta o escritor, cujo livro será transformado em filme.

O Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel disse que "Bergoglio contribuiu para ajudar os perseguidos e se comprometeu em conseguir a libertação dos sacerdotes presos, mas não participou da luta armada pela defesa dos direitos humanos contra a ditadura".

O apoio espiritual que a hierarquia da Igreja católica prestou aos opressores lançou sombras e suspeitas sobre as ações dos seus sacerdotes, Bergoglio incluído.

"A cumplicidade da Igreja foi fundamental para consolidar a ditadura. Os repressores afirmavam que iam restaurar os valores ‘ocidentais e cristãos’, e o apoio institucional da Igreja foi fundamental", declara a advogada Myriam Bregman, que abriu processos na Argentina por crimes contra a humanidade. Bergoglio "não era cúmplice (dos militares), mas tentava suportar o horror em silêncio", diz Larraquy. Ao mesmo tempo, ele usou "o Colégio Máximo como esconderijo para proteger padres e seminaristas em risco. Ele dava assistência e comida e criou uma rede logística para facilitar a fuga deles, mas, para conseguir refúgio, eles tinham que abandonar qualquer tipo de militância político-pastoral".

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Tags:
ditaduraPapa Francisco
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