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O pe. Bergoglio salvou a minha vida na ditadura argentina

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Associated Press - publicado em 19/03/14


Quando Bergoglio foi nomeado superior provincial em 1973, a América Latina via crescerem novas correntes de pensamento influenciadas pelo Concílio Vaticano II, como a Teologia da Libertação. Seu foco era a desigualdade social profunda, causada pelo sistema capitalista no continente, e os meios para ajudar os pobres a se libertarem da opressão.

Nasceu na Argentina o Movimento dos Sacerdotes para o Terceiro Mundo, que se voltou para os bairros marginalizados. Os militares, que acusavam aqueles padres de "comunistas", assassinaram meia centena de membros de várias ordens religiosas e do clero diocesano, de acordo com Larraquy.

Sentado no jardim do Colégio Máximo, o padre Juan Carlos Scannone, que foi perseguido por ter prestado apoio espiritual aos pobres de uma favela, conta que deve a vida a Bergoglio. Ele se lembra do medo que sentia quando percorria os doze quarteirões entre o bairro operário de La Manuelita, onde ia todos os dias para "aprender da sabedoria popular", até a casa dos jesuítas.

"Bergoglio me dizia para nunca ir sozinho, porque, se eu morresse, pelo menos haveria testemunhas", conta Scannone, que é também ideólogo da Teologia do Povo, uma corrente não-marxista da Teologia da Libertação. Suas reflexões eram publicadas em revistas especializadas, às quais os militares prestavam particular atenção.

Bergoglio defendia Scannone toda vez que os bispos questionavam seus pensamentos.

Durante a brutal repressão, esconderam-se no Colégio Máximo três seminaristas que trabalhavam na diocese do bispo Enrique Angelelli, que era do movimento dos Sacerdotes para o Terceiro Mundo e que foi assassinado em 1976, relata Scavo.

"Sempre havia militares em torno do edifício. Bergoglio tinha uma estratégia: ele conquistava a confiança deles para não os deixar pensar que havia gente escondida lá. Eu o vi salvar vidas com isso", conta Miguel La Civita, uma das vidas que foram salvas.

Segundo Larraquy, o líder dos jesuítas apoiava a solidariedade dos seus homens para com os pobres, mas não concordava com o seu compromisso político nem com o fato de terem contato com membros da guerrilha. "Bergoglio os obrigava a abandonar a ordem, mas não lhe dava nenhum lugar para se incardinar no clero e eles ficavam ‘meio no ar’”.

Os jesuítas ficaram detidos na Escola de Mecânica da Armada (ESMA), o principal centro de tortura e detenção ilegal durante o regime. Foram libertados em outubro de 1976.

Em 2010, Bergoglio depôs, como testemunha, contando que se encontrou com os ditadores Jorge Rafael Videla e Emilio Massera para interceder pelos religiosos.

"Eu estou reconciliado com os eventos e considero o assunto encerrado", disse Jalics em um comunicado que enviou da sua atual residência, um mosteiro na Alemanha. Yorio morreu no ano 2000. Sua irmã conta que ele morreu acreditando que Bergoglio o tinha traído.

Segundo Scannone, que era amigo pessoal de Yorio, a verdade é que "Bergoglio fez todo o possível para libertá-los".

As principais organizações de direitos humanos consideram que Francisco ajudaria a varrer qualquer dúvida se abrisse os arquivos da Igreja sobre a ditadura.

"Nós pedimos e continuamos esperando. A Igreja fez parte da ditadura, era cúmplice direta, e agora continua sem revelar nada dos seus arquivos", lamenta a advogada Bregman. 

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Tags:
ditaduraPapa Francisco
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