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Famílias sírias lutam para sobreviver fora da segurança dos acampamentos

© AFP

ACNUR - publicado em 20/03/14

Um estudo mostra o dilema que os refugiados enfrentam para sobreviver em áreas urbanas, mesmo com o apoio que a Jordânia tem oferecido para eles

A agência de refugiados da ONU disse na terça-feira que centenas de milhares de sírios forçados a se exilar na Jordânia estão enfrentando uma recente crise humanitária lutando para sobreviver fora dos acampamentos de refugiados do país.

O aviso vem através de um estudo feito pelo ACNUR e pela ONG IRD (do inglês International Relief and Development), que ressalta a luta diária de 450.000 sírios que enfrentam aumento no preço dos alugueis, condições de habitação inadequadas e desafios educacionais para seus filhos.

O relatório foi baseado em 92.000 entrevistas conduzidas em visitas domiciliares entre 2012 e 2013, e reflete uma preocupação crescente, que com a crise síria entrando no seu quarto ano muitos refugiados não conseguirão mais lidar com a situação.

O estudo mostra o dilema que os refugiados enfrentam para sobreviver em áreas urbanas, mesmo com a generosidade e apoio que a Jordânia tem oferecido para eles, incluindo acesso gratuito a saúde pública e educação.

“Depois de escapar dos horrores em casa, centenas de milhares de sírios que fugiram da violência e privação estão encarando uma segunda crise no seu local de refúgio”, disse Andrew Harper, representante do ACNUR na Jordânia. “Refugiados sírios na Jordânia estão pendurados por um fio lutando para manter um teto sobre suas cabeças e dinheiro suficiente para sobreviver”.

Quase quatro de cinco refugiados sírios na Jordânia vivem fora dos acampamentos formais, mas recebem uma fração da atenção internacional dada ao acampamento de Za’atri na região norte da Jordânia. O ACNUR e funcionários da IRD entrevistaram dezenas de milhares de famílias para identificar as necessidades e ajudar a maioria de refugiados escondidos que vivem em cidades pelo país.

O relatório vem em meio a sinais que seus recursos estão acabando e muitas famílias estão recorrendo a “mecanismos de enfrentamento negativos” para conseguir se manter, muitas vezes colocando-se em risco de exploração.

Mais de 90% dos refugiados na Jordânia vivem em acomodações alugadas, segundo o relatório, e os aluguéis para os sírios subiram de 2012-2013 em até 25% em alguns locais. Aluguéis agora contam por quase dois terços dos gastos dos refugiados, e tem se tornado uma preocupação primária para o seu bem-estar. Metade dos refugiados sírios sente que estão vivendo em moradias inadequadas, incluindo apartamentos mal ventilados com umidade e mofo.

O estudo também alerta que 61% das crianças sírias abrangidas pro este estudo não foram à escola durante o período de 2012-2013, enquanto 5% das crianças que foram relataram terem abandonado os estudos. O ACNUR continua a investigar o assunto diretamente, mas as razões para as desistências incluem: bullying, desafios para se ajustar ao currículo escolar da Jordânia, inabilidade para acompanhar as turmas, terem que trabalhar para contribuir com a renda familiar e também a sobrecarga no ensino público da Jordânia.

“Crianças sírias já perderam seu passado. Não podemos deixar uma geração perder seu futuro”, diz Andrew Harper, representante do ACNUR na Jordânia. “Às crianças sírias na Jordânia devem ser dadas habilidades para reconstruir a si mesmas e o futuro do seu país”.

Um ponto positivo do relatório sugere que refugiados sírios estão se tornando cada vez mais independentes. O acesso a empregos formais na Jordânia é um desafio para os refugiados; contudo a proporção de casos relatados de pessoas com acesso a renda recebida por trabalho aumentou de 28% para 36% e a assistência e caridade apresentaram uma redução de 63% para 49%.

O ACNUR e a IRD continuam entrevistando 10.000 famílias de refugiados todos os meses em um esforço para manter um profundo entendimento das vulnerabilidades, sejam elas novas ou em situação de deterioramento. Isto permitirá serviços e atividades dirigidas que poderão atender as demandas crescentes dos refugiados, com o aprofundamento da crise na Síria.

(ACNUR)

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